COXAnautas - Coritiba Eternamente

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01/01, 10h40 | Arquibancada | Sergio Brandão

Só a mandinga salva!

A Copa de 82 me perece ter sido o cenário da última grande seleção brasileira, que com ela também se foram meus sonhos por seleção brasileira. Foi daí em diante que praticamente desisti de torcer por dois times (Coritiba e Seleção).

Foi assim que descobri que é impossível sustentar dois amores no futebol. De 86 pra cá, o futebol de seleções ganhou outro sentido na minha vida de torcedor. O interesse e o grande envolvimento, acabaram dando lugar a quase o desprezo total. Acompanho a seleção apenas porque gosto de futebol, mas cada vez com menos interesse. O espirito de torcedor fica cada vez menor. Copa do Mundo tem outra conotação: táticas, experiências, surpresas, talentos novos, desfile de astros, o glamour da competição, que é mesmo imbatível. Impossível gostar de futebol e desprezar uma Copa do Mundo. Mas seleção brasileira precisa se reinventar para me reconquistar.

Dias antes da desclassificação daquela Copa, na partida contra a Itália, eu e meu pai assistíamos pela tv o noticiário do dia da seleção. Em casa tínhamos na parede da sala um pôster com a foto da seleção de Telê, com Sócrates, Zico, Falcão, Junior, Leandro... uma baita seleção... talvez a última grande geração de craques que vi jogar.

Em meio àquele noticiário, depois de dias pregado ali na parede da sala de casa, o pôster se desprega e cai. Meu pai me olha levantando o pôster do chão e me diz: “isso é mal sinal”! Claro, coisa de torcedor. Mas não deu outra. Dias depois o Brasil era desclassificado da Copa da Espanha, depois de uma bela campanha nas fases anteriores, jogando um futebol quase irretocável. O pôster no chão foi mesmo um sinal.

Há uns dois anos, tenho pregado numa das paredes onde trabalho aqui em casa, uma flâmula do Coxa. Temos uma cumplicidade, eu e ela. Conversamos. Trato como se fosse a entidade representativa, com endereço fixo na Ubaldino do Amaral, Amâncio Mouro e Mauá, no Alto da Glória.

Estes dias, quando me preparava para trabalhar, para arrematar um texto, quando percebo que minha companheira não estava mais no seu lugar de sempre.

Como naquele dia a faxineira esteve em casa, deduzi que poderia ter mexido e tirado do lugar, mas estranhei porque a moça não é destas coisas. Me levantei, já dando busca pela minha mesa de trabalho e atrás dela vejo minha flâmula jogada no chão. Imediatamente me veio a história da Copa de 82. Só que com uma grande diferença. O Coritiba anda mesmo passando bem longe de sequer lembrar aquela seleção. Não há também no momento uma disputa em questão, mas sim um insucesso de anos, que se arrastam por exatos cinco anos e que não desencarna de nós.

Prefiro então acreditar que é efeito contrário. Ela precisa sair dali. A flâmula se jogou da parede, para ganhar novos ares. Minha flâmula vai voltar à parede, uma outra parede, melhor pregada, para resistir mais alguns anos , só para ver se desta vez as coisas vão. Ou troco de flâmula? Compro uma nova, para junto com o ano, torcer por melhores dias?

Sei que se não houver trabalho pra isso, esta conversa toda de nada vai valer, não terá efeito algum. Mas fiz minha parte. Faça também a sua. Comece a acreditar em mandinga de torcedor para ver se pelo menos assim as coisas mudam.

O futebol é um dos melhores exemplos destes ciclos de tempos. De contagem do tempo, como o ano, como são os meses, as semanas. As coisas precisam ser planejadas dentro de datas, num ciclo que se fecha num ano.

Um novo ano nos espera e por enquanto não temos muito no que acreditar. Assim como um pôster que derrubou uma seleção imbatível em 82, preciso acreditar que uma flâmula pode nos salvar.

Bom e feliz 2017 para nós!

Debate

  • "Rildo, Berola, H. Almeida me parece um ataque bem melhor do que tivemos em 2016. Não concorda Sérgio?"

    Marcelo B. | 03/01, 23h38 | Móvel

    • "Eu concordo total e ainda tem o Iago. Penso que este ano será bem diferente e com os bons volantes chegando, dificilmente teremos um João Paulo e companhia em campo. São bons na marcação e sabem sair pro ataque. Vai fazer muita diferença. Fundamental é um ou dois meias de armação porque com o Rui é difícil. Gostei demais dá lista daqueles que saíram e aí, pra mim, está a grande diferença. Pediria aos amigos ter um pouco mais de paciência com o novo grupo. Vamos ver no campo antes, depois julgar. Sem pressão não tendo nem estreado ainda. Tem o fator Carpegiani que vai começar do zero com pré temporada e mais tempo disponível, sem sufoco. Abraços!"

      Admir | 04/01, 07h39

    • "Ainda com Kleber. Não esqueça. Me preocupa apenas a fase apagada de H. Almeida. Berola só em março, mas pra quem não tinha quase nada, tá bom, sim."

      Sérgio Brandão | 04/01, 08h11 | Móvel

    • "Gosto deste seu positivismo, Admir. Digo mais , invejo."

      Sérgio Brandão | 04/01, 08h14 | Móvel

  • "Este ano não vou me iludir
    Vou acompanhar de longe
    Sem nenhum compromisso
    Chega de sofrimento
    Se cai caiu
    Vou focar em outras coisas
    Futebol este ano me deixou muito estressado..."

    S. Carlos | 03/01, 22h09 | Móvel

    • "Te entendo perfeitamente S. Carlos. Estou quase no mesmo caminho."

      Sérgio Brandão | 04/01, 08h13 | Móvel

  • "Acho que o Rui não cabe mais no time. Piorou demais depois do operário!"

    Admir | 03/01, 21h50

  • "H. Almeida está qse certo ( eu não o traria novamente ). Não desistiram do Ricardo da Luverdense e surgiu o nome do Rafael Longuine, do Santos. E ai meus caros, oq me dizem???"

    Rodrigo F. | 03/01, 16h43

    • "Eu também não traria. Gastaria munição com meio de campo."

      Sérgio Brandão | 03/01, 19h46 | Móvel

  • "Caros...gostei muito do texto..kkkk...mas a melhor mandinga é vassorada em perneta.....kkkkk....e pra diretor pula- barca, inelegibilidade eterna.....Feliz ano novo a todos..."

    Sandro S. | 03/01, 09h44 | Móvel

    • "É bem por aí, Sandro."

      Sérgio Brandão | 03/01, 16h22 | Móvel

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Equipe COXAnautas

O Blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.

O Autor

O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

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