COXAnautas - Coritiba Eternamente

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23/10, 22h44 | Bola de Couro | Felipe Rauen

O fluminense e os gabinetes.

O fluminense, que hoje nos roubou dois pontos, talvez pudesse dizer que mereceu o empate, pois jogou melhor do que nós. Mas não menos verdade é que muito provavelmente não teria saído de Curitiba com um ponto ganho e dois roubados não fosse a gritante proteção que recebeu da arbitragem quando da expulsão do Kleber depois de dois minutos de atuação, fato que certamente concorreu para o resultado.

As imagens do lance são claras, não houve qualquer falta, tanto que quando o apitador ergueu o cartão vermelho o jogador do fluminense que disputara a bola com o Kléber aparentou ter pensado que a punição era para ele. A leitura labial mostra que realmente o Kléber mandou alguém para aquele lugar, mas daí a concluir que se dirigia ao fantoche, vai uma boa distância e no mínimo a dúvida deveria ser tida em seu favor. As imagens do conflito que se instaurou logo mostram o João Paulo dizendo que a ofensa fora para ele. E a rigor nem se pode chamar de ofensa uma expressão comum no futebol, que os boleiros usam corriqueiramente, como um desabafo. Só quem não vive o futebol não sabe que é assim.

Mas era o fluminense, o amigo do rei.

No fim dos anos 90, o fluminense foi rebaixado três vezes seguidas. Em 1996, caiu para a Série B. Depois de um escândalo de manipulação de resultados envolvendo Atlético-PR e Corinthians, o rebaixamento daquela edição do Campeonato Brasileiro foi cancelado. Em 1997, o fluminense caiu novamente. Disputou a Série B no ano seguinte e amargou a queda para a Série C.

Em 1999 o fluminense venceu a Série C e se classificou para disputar a Segunda Divisão. Mas o Campeonato Brasileiro de 2000 não foi realizado. Naquele ano, o rebaixamento era definido pela média dos pontos obtidos nos dois últimos campeonatos e o clube carioca conseguiu ganhar no STJD os três pontos da partida na qual foi goleado por 6 a 1 pelo São Paulo, alegando que o atacante Sandro Hiroshi atuou de forma irregular.

E mais recentemente, em 2013, o fluminense terminou o campeonato com pontuação de rebaixado, mas uma muito estranha história envolvendo a escalação pela Portuguesa de um jogador suspenso fez com que a lusa perdesse quatro pontos de modo a que o clube carioca pudesse se manter na série A. Lembre-se que o jogador dito irregular participou dos minutos finais do jogo entre a Portuguesa e o Grêmio, quando ambos se satisfaziam com o empate, não havendo nenhuma necessidade e razão técnica para participar da partida, salvo a de dar ao fluminense argumento para pedir a perda dos pontos da lusa. Tempos depois dirigentes da Portuguesa denunciaram conduta dolosa do fluminense e do seu patrocinador, mas o fato aos poucos caiu no esquecimento.

Parece que ganhar só em campo e de acordo com as regras do jogo não é ponto forte na história do tricolor carioca.

Enquanto isso, desde 1989 o Coritiba não tem força nenhuma junto à CBF, sofre castigos excessivos e frequentemente é prejudicado por arbitragens. Não chego ao ponto de dizer que se trata de uma perseguição sistemática, mas lembro de apenas três fatos que mostram que não temos força política: o rebaixamento de 1989 decorreu de uma “canetada” totalmente injurídica, a punição de 2009 foi exacerbada e o título da Copa do Brasil de 2012 nos foi tirado em razão de uma arbitragem claramente comprometida em favorecer o time da empresa que coincidentemente patrocinava o torneio.

O fato é que, desde a primeira fase da gestão do Evangelino Neves, nenhum dirigente do Coritiba soube se impor politicamente junto à CBF. Nos falta alguém com transito nos tapetes da entidade, da comissão de arbitragem e do STJD. Não, é claro, para que tenhamos alguma proteção – até porque isso está guardado para os ditos grandes – mas para que sejamos respeitados tal como todos os clubes deveriam ser independente de ter melhor trânsito nos gabinetes ou serem queridos pela mídia.

Ouvi a entrevista do presidente Bacellar após o jogo, na qual mostrou justa indignação, que é de todos nós, com a atuação do apitador e disse que tem mandado imagens dos erros de arbitragem (não entendi bem a quem), como se todos os clubes nunca fizessem isso e alguma vez houvesse resultado que não fosse, talvez, risadas nos gabinetes. Se for esta a providência que nossa direção tem tomado e se for só esta a que vai tomar em relação ao que ocorreu hoje, esqueçamos qualquer possibilidade de mudança e de afirmação do Coritiba junto aos donos do futebol brasileiro.

Debate

  • "Venho discorrendo sobre isso há muito anos e em 'n' comentários.
    Ou seja, que após a era 'vitoriosa' do Evangelino o CORITIBA politicamente não influi mais e de nenhum ou qualquer modo na CBF.

    Matéria para mim sem nenhuma novidade."

    J. Mario | 24/10, 18h35

  • "Nenhuma novidade. O nosso Clube não tem qualquer prestígio junto a cbf e, principalmente, ao seu departamento de árbitros. Não obstante, os dirigentes deveriam utilizar a mídia para ´botarem a boca no trombone` sempre que sejamos prejudicados. Deveriam aprender com o chefe das terras baixas que não permite esse tipo de coisa. No mais, concordo com as observações do ALVARO A., pois se o treinador não cometesse tantos equívocos o time provavelmente teria ganho o jogo e ninguém seria expulso."

    Tadeu A. | 24/10, 16h00

    • "Não duvido, Tadeu, que soframos mais uma punição. Afinal,não temos qualquer força junto à CBF."

      B. Felipe Rauen | 24/10, 17h41 | Móvel

  • "Rauen, o que me preocupa foi a invasão de campo do Alex Brasil, relatada na súmula, e sua ingênua declaração onde disse que o Fluminense foi compensado devido ao FLA-FLU. Declaração e invasão bestas, que podem fomentar na CBF e STJD uma punição com perda de mandos justamente nessa reta final de campeonato.

    Lembrando da Portuguesa em 2013, a mesma foi rebaixada da série C, e não disputará nem a D o ano que vem."

    Gerson Lima | 24/10, 12h17

    • "Tem razão,Gerson. Nós podemos dizer isso, mas jamais um dirigente. Temo mais uma punição na nossa história."

      B. Felipe Rauen | 24/10, 17h39 | Móvel

  • "Tem momentos que dá vontade de largar tudo, me afastar do futebol. Continuo apenas porque o Coxa minha equipe do coração é que está sendo vítima, fico preocupado porque ontem quase na mesma hora o figueirense estava sendo prejudicado também, quase da mesma maneira. Será que existem cartas marcadas?"

    Eli P. | 24/10, 10h56

  • "....deem um "google".....veja a Wikipedia do FILHA DA PUTA QUE NOS ROUBOU CONTRA O INTER (ANO PASSADO) E ONTEM.......ELE FOI JOGADOR DO FLUMERDA.....simples assim."

    Claudio S. | 24/10, 10h32

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Equipe COXAnautas

O Blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.

O Autor

Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro". Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Desde fevereiro de 2.009 é Cônsul do Coritiba em Porto Alegre. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

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