COXAnautas - Coritiba Eternamente

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27/10, 14h02 | Bola de Couro | Felipe Rauen

Reincidente

Adoniram Barbosa (para os mais jovens que não sabem, é o compositor de Trem das Onze e Samba do Arnesto), compôs uma música com o nome de Armistício, a qual tem um verso assim:

“Tem um ditado,
Não sei se é inglês ou português
Só sei que o ditado diz
Quem faz uma, faz duas, faz três”.

Os gaúchos também têm um ditado para pessoas que cometem erros e os repetem: “Cachorro comedor de ovelha, só matando”.

Essas expressões me vêm à mente a propósito do nosso treinador, Paulo César Carpegianni, que tal como agiu no próprio Coritiba em 1995 e em outros clubes, não perde o vezo de inventar escalações e modificações inexplicáveis, no mais das vezes com maus resultados.

Ontem, mais uma vez, começou com uma escalação inesperada, com Ruy e Amaral, aquele há meses sem jogar, e com um banco incompleto, sem substitutos diretos para zagueiros e alas. O mau futebol do Amaral foi claro quando se viu a nossa defesa sofrendo pelo meio, sem proteção, com os adversários fazendo linha de passe. Depois, se muitos estavam mal, tirou de campo exatamente o único que jogava bem, o Gonzales, desmontando qualquer possibilidade de armação para levar as bolas aos atacantes (também mal ontem).

Desde 1995, quando pela primeira vez treinou o Coritiba, a história do Carpegianni é marcada por “invenções”. Basta lembrar que, naquele ano, na decisão do campeonato, escalou o zagueiro Jorjão como centroavante. Claro que perdemos.

Mas a história dele com essa característica e conduta não ocorreu só no Coritiba. Busquei na Wikipédia informações sobre a sua história que os amigos podem ler aqui e verificar em quantos clubes foi acusado de invenções no comando das equipes.

Referem-me, aqui em Porto Alegre, que esse seria um traço da sua personalidade, pois nunca se conformou com os comentários no sentido de que foi campeão mundial pelo Flamengo embora qualquer treinador pudesse sê-lo em razão do qualificadíssimo time do Zico, que por si só era capaz do feito. Estaria, então, sempre à procura de afirmação e de tentar mostrar que quem ganhou não foram os jogadores, mas as suas táticas, por estranhas que fossem. Não sei se procede, mas, dizem os italianos, “se non é vero, é bene trovato”.

Nesta altura do campeonato, com a água batendo em nosso pescoço, não é de se pregar a mudança do técnico. Ele tem capacidade e conhecimento, mas deve faça uma introspecção e admitir os erros que tem cometido e não os repetir, deixando de se enquadrar nos versos do Adoniran Barbosa e no ditado dos gaúchos. Voltando a vencer, sem invenções, ele será sem dúvida reconhecido e poderá alcançar a afirmação que há tanto tempo busca.

E por falar em reincidente, outro que não se corrige é o Kléber. O lance em que recebeu o cartão amarelo ontem foi comum do jogo e sua atitude foi totalmente infantil. Espero que ele não esteja querendo repetir o Aristizábal (vou deixar esta afirmação no ar, se necessário, volto).

Debate

  • "Pois é, Rauen e torcida, temos de torcer, e torcer. O fim do campeonato aí está. E precisamos, muito, vencer, no mínimo, duas vezes, e mais um ou dois empates. Sem lamentos, vamos nessa. Avante, Coxa, e goooools neles!"

    João B. | 30/10, 00h13

  • "Aquele time do flamengo da decada de 80 se eu fosse o treinador teria ganho do mesmo jeito. Se tivesse uma cadeira com um paleto pendurado no banco tambem ganhava.
    Muito parecido com o Zagalo na copa de 70. A imprensa de São paulo queimou o Joao Saldanha nas eliminatorias ai pegaram o zagalo, que na epoca não fedia e nem cheirava para a imprensa.
    Quando precisou de técnico 4 anos depois ( copa 74 ) ai sim todos viram quem era o Zagalo quando um reporter perguntou se ele conhecia a Holanda...ele falou que nunca tinha ouvido falar.
    isso que o carrocel holandes era assunto ja durante as eliminatórias e o incompetente não se deu nem o trabalho de acompanhar.
    Não tinhamos mais uma super-seleção e fomos eliminados justamente pela holanda , a seleção desconhecida do seu zagalo.
    Por isso penso que em super times (flamengo anos 80, palmeiras anos 90, etc) e em seleções muito acima das outras (brasil 70, brasil 82, etc) não existe a necessidade de ser um ótimo técnico pois a margem correspondente ao técnico na vitória é muito pequena.
    Agora quando o time é meia boca, igual aos demais , o jogo é ganho nos detalhes, ai sim um bom técnico pode ganhar um jogo ou um campeonato.
    Hoje no Coxa pela falta de qualidade do elenco qualquer escalação ou substuição certa / errada interfere quase sempre no resultado e o técnico tem uma participação direta."

    Luis Szlanda | 28/10, 12h29

    • "Perfeito."

      B. Felipe Rauen | 28/10, 15h14

  • "O Wilson que se cuide; poderá ser o Jorjão da vez!"

    ALVARO A. | 28/10, 09h47

    • "Talvez nem tanto meu amigo, mas se o Lucas Claro não estivesse lesionado, quem sabe? Acho que ainda não vimos tudo."

      B. Felipe Rauen | 28/10, 15h15

  • "Jorginho do vasco colocou rafael vaz (zagueiro) de centroavante (http://espn.uol.com.br/noticia/599967_jorginho-explica-rafael-vaz-de-atacante-ele-sabe-concluir-como-ja-demonstrou-em-outras-ocasioes) e ninguem fica falando eternamente disso, muitos jogos ve-se os zagueiros ficando no ataque quando o resultado nao é interessante (leonardo silva do galo é um exemplo bem frequente), na historia do Jorjão...tinha outra opção de 'presença de área' ?

    Carpegiani claramente poupou alguns jogadores para a reta final do brasileirão."

    Eduardo K. | 28/10, 08h57

  • "Perfeita coluna Rauen.

    "Ele tem capacidade e conhecimento, mas deve faça uma introspecção e admitir os erros que tem cometido e não os repetir, deixando de se enquadrar nos versos do Adoniran Barbosa e no ditado dos gaúchos. Voltando a vencer, sem invenções, ele será sem dúvida reconhecido e poderá alcançar a afirmação que há tanto tempo busca.""

    A. dal Pozzo | 28/10, 08h54

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Equipe COXAnautas

O Blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.

O Autor

Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro". Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Desde fevereiro de 2.009 é Cônsul do Coritiba em Porto Alegre. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

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