COXAnautas - Coritiba Eternamente

Brasileirão | 16/08/16, 10h00

Coritiba perde um de seus ídolos

Na madrugada de hoje, a torcida do Coritiba perdeu um dos grandes ídolos da história Alviverde.

Na cidade de Londrina, o ex-atacante Tião Abatiá, faleceu devido a complicações após uma cirurgia de intestino.

Sebastião José Ferri, nasceu na cidade de Abatiá, interior do Paraná, em 20 de janeiro de 1945.

Tião Abatiá apareceu para o futebol no União Bandeirantes, onde despertou interesse do São Paulo. Porém, no time paulista disputou apenas uma partida, sendo logo negociado com o Coritiba, clube pelo qual jogou de agosto de 1971 a abril de 1975.

No time Alviverde formou a famosa "dupla caipira"com Paquito, também oriundo do União Bandeirantes.

Pelo Coritiba, Tião Abatiá conquistou a Fita Azul em 1972, o Torneio do Povo em 1973, além dos campeonatos paranaenses em 1972, 1973, 1974 e 1975.

Em 1971, recebeu a Bola de Prata, da Revista Placar, como o melhor centroavante do Campeonato Brasileiro daquele ano.

O jogador chegou a virar um personagem criado por Walt Disney, o "Tião Abaterá".

Um dos grandes momentos do jogador pelo Coritiba foi quando ofuscou Pelé, em uma vitória Alviverde diante do Santos, por 1x0, com um gol seu, no campeonato brasileiro de 1971.

O torcedor Alvyr Pereira de Lima, que vivenciou a célebre década de 70 para o time do Coritiba, conta um pouco sobre a participação de Tião Abatiá no time Alviverde:

Sebastião José Ferri, o Tião Abatia, surgiu para o futebol no final dos anos 60, jogando pelo União Bandeirantes, onde fazia uma dupla infernal com Paquito, e formava num ataque não menos mortal com Nondas na ponta direita e Russinho na esquerda.

Com eles inclusive, o União Bandeirantes sagrou-se vice-campeão paranaense de 1971.

O curioso é que Paquito tinha sido emprestado ao Coritiba para as disputas do Robertão de 1969 e, em 1971, depois que Ze Roberto (que tinha disputado o Campeonato Paranaense pelo Coxa) foi devolvido para o São Paulo, e depois de uma estréia pífia no Nacional daquele ano (derrota de 2x0 para o Cruzeiro em pleno Belfort Duarte), Evangelino foi buscar de novo o Paquito em Bandeirantes, muito embora tivesse sido o Abatiá o artilheiro do Paranaense daquele ano.

Mas o Meneghel, dono do time, foi inflexível: “só leva o Paquito se levar o Abatiá junto”. E assim, vieram os dois para o Coritiba. A estréia não podia ter sido mais positiva: na 2ª rodada do campeonato nacional, vitória de 2x1 sobre a Portuguesa, com gols de Tião Abatia e Paquito.

Apelidados pela crônica esportiva nacional de “Dupla Caipira”, os dois brilharam naquele ano, embora tivesse Tião Abatiá obtido o maior destaque. Vitórias memoráveis sobre o Corinthians de Rivelino, Ado e Mirandinha – virada de 3x2 em pleno Parque São Jorge, depois de estar perdendo por 2x0, com gols da dupla e sobre o Santos de Pelé & Cia, numa noite em que o goleiro titular, Célio não jogou por contusão e o reserva Carvalho defendeu tudo e mais um pouco, marcaram a campanha do Coritiba naquele ano.

Mas o grande momento da dupla naquele ano foi no jogo contra o Atletico Mineiro, de Renato, Humberto, Vantuir, Lola, Vanderley e Dario Maravilha. No 2º tempo, Paquito acertou um foguete da intermediária, na gaveta de Renato, e fez o gol da vitória.

No final do jogo, pressão atleticana quando Abatia recebe na corrida pela esquerda, entra na área, marcado por Vantuir e o goleiro Renato, e quase na linha de fundo dá vários dribles nos dois, até deixa-los sentados no gramado. O cruzamento é certeiro na cabeça de Leocádio que, com o gol vazio, cabeceia para fora. O jogo acaba alí e Leocádio – que era um craque de bola – ficou por vários minutos no chão, se lamentando pelo gol perdido. Essa jogada ficou famosa no Brasil inteiro e serviu como tema de início de vários programas esportivos.

Naquele ano, Tim era o técnico e tinha criado uma jogada mortal: Negreiros, o meia, jogava mais pelo lado direito, e lançava na diagonal a Abatia, que corria pela esquerda. Não tinha defesa adversária que resistisse a isso.

No final do campeonato, Tião Abatia e o zagueiro Pescuma (que coincidentemente também tinha vindo do União Bandeirantes, só que no começo de 1971), foram contemplados com a “Bola de Prata” da Revista Placar, como melhores zagueiro e centro-avante do Campeonato Nacional de 1971.

Tião Abatia ficou tão famoso, que virou personagem de Walt Disney. Em sua homenagem foi criado o personagem “Tião Abaterá”, que fazia parte dos amigos do Zé Carioca.

Embora chovessem propostas de compra da dupla por vários clubes brasileiros, tanto Abatia como Paquito permaneceram no Coritiba até 1974, se revezando no ataque com Leocádio, Zé Roberto, Kruger, Helio Pires, Sergio Roberto, Aladim, Dirceu e outros.

Debate

  • "Vi somente agora essa notícia.
    A última vez que o vi, foi em Londrina, em 2009, num evento dos consulados do Coritiba no norte do Paraná.
    Realmente ele deixou a sua marca na história do Coritiba.
    SAV!"

    Roberto L. F. Pereira | 03/05, 07h18 | Móvel

  • "Vi muitos jogos da dupla caipira. Muitos gols e entrosamento. Ele era um cara incrível, humilde e repleto de raça. Que fique em paz!

    Lembro de uma frase dele que marcou pra muita gente. Ele driblou toda defesa do Galo mineiro e deu pro Leocádio na cara do gol que conseguiu perder o gol. Na entrevista pediram pra ele descrever a jogada e ele disse: " eu fingi que fui mas não fui, daí acabei fondo". Fique com Deus e obrigado por ter dividido conosvo tantas alegrias."

    Admir Rosa | 28/04/18, 00h26 | Móvel

  • "Vi jogar várias vezes no Belfort Duarte na década de ouro do Coritiba que foi a dos anos 70. Tempo em que a camisa alviverde era respeitada e temida. Vai com Deus e manda um abraço pro Chinês!"

    Carlos Becker | 18/08/16, 19h50

  • "O texto acima é bom, só que foi usado um termo que infelizmente no esporte brasileiro usam muito e é cruel. Disse que ele "infernizava", as vezes tem locutor que cita o diabo. Poxa, coisa boa vem de Deus. Porque usar esse termo tão ruim pra coisa boa."

    Paulo De Marcondes | 17/08/16, 18h40 | Móvel

    • "Figura de linguagem. A intenção foi dizer que ele fazia a vida dos adversários ficar pior. Na boa, não é necessário ser tão legalista ou religioso."

      Thiago C. | 16/05, 21h05 | Móvel

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