A vitória hoje não caiu do céu!
Confira o que Guto Ferreira disse após a vitória sobre o Avaí.
Guto explicou o porquê das nove alterações no time em relação ao último jogo, e quais seriam os próximos passos nesse sentido: “No jogo do Fluminense nós tínhamos várias ausências, por cartão e lesão, por exemplo, eu não levei o Porfírio porque fazia quatro dias que ele tinha saído do departamento médico, e hoje ficou evidente, com dez dias de trabalho ele fez uma grande partida defensivamente e acrescentou algumas coisas muito importantes ofensivamente, mas não aguentou ir até o fim, e não só ele, o John Chancellor que estreou, se apresentou e fazia uma semana que estava treinando, só que ele vinha treinando sozinho antes de se apresentar, então são coisas que às vezes somos cobrados mas há necessidade de entender o processo, se não, acontece o que aconteceu com o Boschila e outros jogadores e mexe de duas maneiras na estrutura da equipe, você tira a confiança daquele que era o momento de entrar para colocar um que não vai te dar a resposta porque não está pronto e acaba perdendo ele não só por um jogo mas por vários jogos e quando voltar, volta pior porque ficou mais tempo parado do que estava, então com tudo isso nós temos que ter muita coerência na hora de estruturar a equipe, e valorizar cada jogador que vai para dentro do campo, e é desta maneira que tentamos trabalhar, dando moral para todos. Hoje quase que o Pablo Garcia foi para o campo, mas são processos, o importante é que o primeiro passo foi dado, não conseguimos no Rio, conseguimos hoje, temos mais quatorze finais, não vai ser fácil, mas vamos brigar como brigamos muito hoje e brigar cada vez mais e no final vamos conseguir.”
O técnico Coxa foi perguntado sobre como foi o trabalho na parte emocional dos jogadores durante a semana, para que conseguissem esta vitória no Couto. Respondeu ele: “A primeira coisa foi mostrar quem é o grupo do Coritiba, o grupo do Coritiba tem jogadores que já foram campeões brasileiros, jogadores com título de Libertadores, tem outros que estão aproveitando a oportunidade para crescer na carreira, jogador de seleção como é o John, enfim, tem muita gente boa e nós não podemos cair na vala comum de que todos são ruins pelo momento que estão vivendo, temos que mostrar para eles que mais do que nunca é preciso elevar a auto estima, é preciso coragem, a vitória hoje não caiu do céu, a paixão faz com que a gente não enxergue este lado, mas nós que estamos trabalhando do outro lado temos que respeitar a paixão, mas não podemos entrar no ritmo da paixão, temos que entrar no ritmo da razão porque é a razão que vai fazer o resultado acontecer. Além de melhorar a autoestima, de valorizar, de organizar o modelo de jogo que queremos, nós temos um psicólogo dentro do clube, colocamos eles para fazer dinâmica de grupo, o Willian por exemplo, então estamos colocando todas as ferramentas que temos, da melhor maneira possível para trabalhar, e todos num discurso só, “nós vamos conseguir”, e isso não é o Guto, quando o Guto foi contratado, isso já veio de uma direção séria que sabe o que quer, e sabe os processos que tem que atingir e sabe que em todo o processo administrativo tem momentos de erros e acertos, mas sempre querendo acertar e corrigindo o rumo quando as coisas não estão acontecendo do jeito que teriam que acontecer. Mais do que nunca, este momento é de unir não de dividir, e se nós conseguirmos unir, o Coxa vai ficar muito forte, além de se manter esse ano, pode conseguir coisas um pouco maiores e pode vir muito mais forte para a próxima temporada.”
Guto também foi questionado sobre como trabalha na questão dos próximos jogos, se trabalha com mini metas, como esses cinco jogos que serão essenciais para o futuro do Coxa e respondeu: “É jogo a jogo. Se entro com uma mini meta, cada vez que não cumpro aquele momento, achando que aquele vai ser eu me desestimulo, agora se eu não conseguir cumprir, o outro tem que vir mais forte, eu tenho que me dedicar mais, e quem disse que eu não posso ganhar o que seria mais difícil e por algum motivo escorregar no outro teoricamente mais fácil. O importante é o final da festa e não o meio da festa, o meio da festa conduz, mas não decide.”
Também houve uma questão sobre a carga emocional dos jogadores, se isto pode ter atrapalhado no jogo hoje, pois foram algumas chances perdidas, inclusive com o Manga perdendo uma chance muito boa, e depois saiu vaiado. Guto Ferreira respondeu assim: “Primeiro preciso dizer que o Manga é um jogador importantíssimo dentro da estrutura da equipe pelas características que tem, um jogador de muita potência, de bom nível de definição e mais do que nunca, é um jogador que se entrega muito e tenho certeza de que, o que ele não fez hoje ele vai fazer melhor nos próximos. Nós conseguimos mandar no jogo, essa é a minha leitura e volto a falar nos processos, teve carga emocional, mas também teve o estágio que nós estamos. Se estávamos tomando gol todo jogo, para termos um equilíbrio o que nós temos que trabalhar primeiro? A defesa. Não trabalhamos só a defesa, trabalhamos a manutenção de posse e alguma situação de conclusão no último terço do campo, só que dentro do processo o trabalho de conclusão passa pelo nível de confiança, mas passa também pelo aprimoramento, como uma lapidação que nós ainda não fizemos pois com 10 dias é impossível, e pode ser mais 20 dias e eles ainda não atingirem o estágio. São processos porque a cada jogo eles trabalham com um tipo de pressão interna e à medida que as coisas vão acontecendo, eles vão surpreendendo, porque você não cria expectativa e ele ultrapassa a expectativa porque você não criou a expectativa, de repente a sua expectativa é mais baixa e ele surpreende fazendo alguma coisa melhor.”
O treinador Coxa-Branca falou também sobre como vem trabalhando o sistema defensivo da equipe que hoje não tomou gol, disse ele: “Nós procuramos ajustar alguns modelos. Trabalhamos encima de dois modelos até o momento, de marcação e de jogo, o movimento inicialmente com duas linhas de quatro mais dois, mas também em alguns momentos um 5-4-1, ou fazer como fizemos no segundo tempo contra o Fluminense, 4-5-1, porque aí é só ajuste, e para encaixar, além de toda a movimentação que existe, que tem que ser treinada e repetida, para cada movimento do adversário, se alguém for batido quem vem para a interceptação, quem vai para a cobertura, o que foi batido, onde recupera, enfim tudo são processos e não é matemático, pois na hora do jogo, ele pode não se situar o suficiente dentro de campo para fazer a leitura, então demanda repetições e isso demanda desgaste físico e tempo que é o que até agora nós não tivemos. Se desgastarmos demais, nós não fazemos tudo o que temos necessidade de fazer, tem muita coisa que ficou para trás. Conforme vai ganhando, vai elevando o nível de confiança, elevando a autoestima, vai acreditando cada vez mais no trabalho e aí a absorção do conhecimento vai sendo mais acelerada. O bom é que eles estão muito focados, por isso conseguimos fazer o que fizemos hoje. O Avaí praticamente só entrou com bola cruzada, a bola que entrou de passe foi a bola que estava impedido, então isso é movimentação de defesa, mas tem que ter movimentação de posse de bola, já tivemos saída de bola, não rifamos a bola, tivemos posicionamento de primeira e segunda bola, precisamos aperfeiçoar muito ainda a transição ofensiva, a transição defensiva foi razoável, tem muita coisa para trabalhar e é o tempo que vai fazer esse processo. Fui obrigado a colocar o Bernardo que trabalha de primeiro, mas trabalhou a semana toda de segundo que é diferente, e a característica do Bernardo é diferente do William, a experiência dele é diferente do William e com o William eles não estavam conseguindo as jogadas por dentro, quando o Bernardo entrou, eles começaram a fazer, aí nós reposicionamos, o Bernardo conseguiu entender, o time se estabilizou, então é o que falo, é processo, você erra para acertar, e se errarmos no treino é melhor do que errar no jogo.”
Em relação ao posicionamento tático do Egídio e do Fabricio Daniel, Guto explicou: “O Fabrício é um jogador que tem muita qualidade e é difícil de ser marcado quando está num ritmo forte, só que ele ainda não está no ritmo dele, eu acredito que o forte dele é se ele jogar atrás do centroavante, mas ele pode jogar pelo lado direito e pelo esquerdo, como ele fez hoje e o gol dele saiu vindo do lado direito, é um jogador de definição qualificada sempre que ele consegue estar numa condição de raciocinar a finalização. Houve um lance no primeiro tempo que o “timing” de finalização foi muito rápido, aí ele isolou, não encaixou o corpo, no segundo ele conduziu, encaixou o corpo e fez o gol, esse é o jogo dele.
O Egídio é um jogador muito técnico, um jogador que a bola não pega fogo no pé dele, um jogador que tem ultrapassagens muito boas, faz a equipe jogar, e eu tendo o Egídio eu posso não ter dois caras muito agudos, mas acabo tendo porque o Adrian hoje era um jogador de velocidade, e o Alef era o outro e o Fabrício não é lento, ele também tem boa estocada, não é rápido como o Warley nem como o Adrian, mas também tem boa velocidade e o Egídio é um jogador mais de carteado, quando chegamos no campo de ataque para ele cartear e para que possamos ter as metidas de bola, as entradas, então ele é um meia pelo lado, ele facilita o jogo do Fabrício também e faz com que o Fabrício possa ser atrás do centroavante um segundo atacante, na hora que a equipe roda ele acaba virando um meia e o Fabrício acaba virando um atacante, então são processos de movimentação que acabam fazendo com que a equipe tenha repertório e a busca é entrosar cada vez mais e depois tem outros jogadores que vão crescendo, cada momento do jogo é um momento. Às vezes precisa ser mais agudo e agressivo e hoje colocamos o Thonny para buscar essa agressividade, o Thonny tem um jogo central ainda mais agressivo que o Fabrício, mas de menos definição, menos precisão de definição, o Fabrício define melhor, o Thonny cria melhor, tem uma visão de ponto futuro, de enfiada de bola melhor, mas é a característica de cada um, quando conseguimos juntar tudo fazemos um Coritiba forte.
Houve um momento do jogo em que o Pablo Garcia estava para entrar, o Porfírio se machuca e o Fabrício fez o gol, e sobre esse momento Guto Ferreira disse: “Nós até brincamos no vestiário, falamos que quem ganhou o jogo foi o Porfírio, porque sairiam os dois, o Fabricio estava desgastado, quando o Porfírio sente, nós fomos obrigados a decidir entre o Adrian e o Fabrício aquele que suportaria ir até o fim, mas com uma condição de poder ter lances de definição, aí naquela hora entra a minutagem, o Adrian estava com minutagem menor do que o Fabrício, então o Fabrício suportaria ir até o fim mais do que o Adrian, aí nós colocamos o Thonny de centroavante e mantivemos o Fabrício e também colocamos o Rafael que entrou muito bem na lateral.”
Por último, Guto Ferreira falou sobre a expectativa para o próximo jogo fora do Couto contra o América visto que o Coritiba tem a pior campanha fora de casa e ainda não venceu: “Já temos algumas coisas observadas do América, vamos observar muito bem amanhã, temos ideias, mas segunda feira nós começamos a desenvolver essas ideias e no final de semana vamos colocar em prática o que trabalhamos na semana toda. O que temos que fazer é acreditar que podemos fazer melhor do que temos feito, e sempre jogar para ganhar, a estratégia que vamos ter pode ser diferente de um jogo para outro, mas a intenção de vencer não pode ser diferente, mesmo com estratégias diferentes a intenção é sempre vencer.”
