Coritiba entra em alerta: números mostram queda de rendimento e risco de aproximação do Z-4
Comparativo entre os turnos aponta piora defensiva, perda de pontos fora de casa e uma reta final que exigirá reação do time alviverde.
Apesar de ainda ocupar uma posição relativamente confortável na tabela, o Coxa precisa reagir para evitar que a reta final da competição se transforme em uma disputa dramática pela permanência na Série A.
Menos pontos, mais gols sofridos
Nas primeiras 11 rodadas, o Coritiba conquistou 16 pontos, com quatro vitórias, quatro empates e três derrotas. O aproveitamento foi de aproximadamente 48%.
No recorte equivalente do segundo turno, entre as rodadas 20 e 30, foram 13 pontos, com três vitórias, quatro empates e quatro derrotas. O aproveitamento caiu para cerca de 39%.
A diferença de três pontos pode parecer pequena, mas outro dado chama a atenção: o número de gols sofridos praticamente dobrou. Foram 11 no primeiro período, contra 21 no segundo.
O ataque, por sua vez, manteve números semelhantes. A equipe marcou 12 gols nas primeiras 11 rodadas e 13 nas rodadas equivalentes do segundo turno.
O problema, portanto, não está necessariamente na capacidade de marcar, mas na dificuldade de proteger a própria meta. As goleadas sofridas para Vasco, por 5 a 0, e Fluminense, por 4 a 0, evidenciam a vulnerabilidade defensiva que precisa ser corrigida.
A queda de rendimento longe do Couto Pereira
Outro aspecto relevante do levantamento está na diferença entre os desempenhos como mandante e visitante.
Nas primeiras 11 rodadas, o Coritiba somou cinco pontos em casa e 11 fora. O aproveitamento como visitante chegou a aproximadamente 61%.
No segundo turno, o cenário se inverteu parcialmente. O time conquistou oito pontos em casa, melhorando seu aproveitamento de 33% para 44%. Fora de casa, porém, somou apenas cinco pontos, com aproveitamento de 33%.
A evolução no Couto Pereira é positiva, mas não compensa integralmente a queda nos jogos como visitante. Recuperar a capacidade de competir longe de Curitiba será fundamental para a equipe administrar a vantagem sobre os concorrentes.
A tabela ainda oferece alguma tranquilidade
Ao final da 11ª rodada, o Coritiba ocupava a sétima colocação, com 16 pontos e seis de vantagem sobre o primeiro time na zona de rebaixamento.
Na 30ª rodada, o cenário é diferente: o Alviverde aparece em 11º lugar, com 39 pontos e sete de vantagem sobre o primeiro clube dentro do Z-4.
Ou seja, apesar da queda de rendimento nas rodadas comparáveis, a distância para a zona de rebaixamento aumentou ligeiramente. Isso ocorre porque os adversários também enfrentam dificuldades para manter uma campanha consistente.
O levantamento dos clubes que estão abaixo do Coxa mostra que Vitória, Botafogo, Corinthians, Internacional, Grêmio e Remo apresentam aproveitamento inferior ao registrado nas rodadas equivalentes do primeiro turno.
Por outro lado, Vasco e Mirassol demonstram evolução mais expressiva no recorte do segundo turno. A Chapecoense também melhorou seu aproveitamento percentual, embora continue em situação muito delicada pela pontuação acumulada.
O quadro sugere que o Coritiba não está sozinho na queda de rendimento. Ainda assim, não seria prudente depender exclusivamente dos tropeços dos concorrentes.
O desafio das oito rodadas finais
A sequência que resta ao Coritiba exige atenção. No primeiro turno, nos oito jogos disputados entre a 12ª e a 19ª rodada, a equipe conquistou apenas dez dos 24 pontos possíveis.
Agora, terá pela frente Atlético-MG fora de casa, e depois Grêmio, Vitória, Internacional, Santos, Bahia, Flamengo e Palmeiras, alternando os mandos de campo conforme a tabela.
Se repetir os dez pontos daquela sequência, o Coxa chegará aos 49 pontos. Seria um resultado importante para encaminhar a permanência, embora não represente uma garantia matemática de salvação.
A margem para erros, portanto, é menor. Uma sequência de derrotas, especialmente acompanhada de novas falhas defensivas, pode reduzir rapidamente a vantagem construída até aqui.
Alerta ligado, mas sem desespero
Os números não justificam tratar o rebaixamento como inevitável, mesmo que o momento seja ruim e o time alviverde venha de cinco jogos sem vitória. O Coritiba tem 39 pontos, sete de vantagem sobre o Z-4 e ainda depende do próprio desempenho para encaminhar sua permanência.
Mas também não há espaço para acomodação. A queda no aproveitamento, o aumento expressivo dos gols sofridos e a perda de força como visitante são sinais que precisam ser levados a sério.
A torcida tem motivos para estar preocupada, principalmente depois dos resultados recentes. O que o time precisa oferecer agora é uma resposta dentro de campo, com mais organização defensiva e regularidade na conquista de pontos.
O Coritiba ainda tem margem para evitar que a luta contra o rebaixamento se torne o centro das atenções. Para isso, porém, terá de demonstrar que os números negativos do segundo turno são um momento a ser superado, e não o retrato definitivo da equipe nesta reta final do Brasileirão.
