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Tivemos força mental de não abandonar o jogo, mas o Palmeiras tem um jogo associativo forte!

João Carlos SihvengerBrasileirão

Confira o que disse o técnico Fernando Seabra na coletiva pós jogo, após a derrota do Coritiba para o Palmeiras.

Tivemos força mental de não abandonar o jogo, mas o Palmeiras tem um jogo associativo forte!
Pode explicar melhor a questão que envolveu sua provável ida para o Vasco que não deu certo? Como está gerenciando isso com o grupo e em relação à torcida? Quanto ao jogo, porque a ausência do Ronnier no início? “Quanto ao Vasco, foi uma proposta muito significativa, com a perspectiva de formar uma equipe de trabalho muito completa, enfim, uma proposta com muitos ingredientes que a tornaram muito importante. Tivemos profissionais aqui que tiveram propostas do São Paulo por exemplo, então isso é um reflexo da qualidade do trabalho realizado aqui e aconteceu comigo. Acabou não dando certo porque não houve acerto entre as partes, Coritiba e Vasco, e minha saída só se daria se fossem aceitos os termos que o Coritiba colocasse, pois não posso sair mal de um lugar em que me sinto muito bem e tenho muito respeito pela instituição. Foi uma situação em que fiquei vulnerável e uma situação que envolveu outro profissional que se desligou do Cruzeiro para ir ao Vasco comigo, e no final eu tinha que resolver essa situação e acabamos de trazê-lo para cá. Fico grato pelo reconhecimento por parte do Vasco, mas muito grato ao Coritiba pela possibilidade de continuar o trabalho aqui. Em relação a outro momento, a questão da foto que gerou chateação por parte da torcida, preciso explicar o contexto. Foi após um dia estressante, com telefonemas, visitas de representantes do Vasco, então após o jantar resolvemos tirar aquela foto para enviar às esposas, e acabou sendo publicada, foi um erro de uma pessoa em que confio e espero que a nossa torcida seja capaz de nos perdoar. Em relação ao jogo, e a ausência do Ronnier, tivemos 50 dias de trabalho após resultados expressivos contra Bahia e Santos e observamos que o Lavega estava sendo regular durante todo período de treinamentos, então foi uma questão de mérito”.

O que pensa em relação a dar mais equilíbrio na campanha do Coritiba, que em casa é o terceiro pior mandante e fora é o terceiro melhor visitante? “Temos que buscar sermos mais agressivos defensivamente em casa, para tirar o controle do jogo dessas equipes que tem essa qualidade, dessa forma impor mais nosso jogo ofensivo. Em momentos do jogo hoje fizemos isso, o goleiro do Palmeiras fez uma grande partida, e nosso problema foi no primeiro tempo em que não fomos agressivos defensivamente. O Palmeiras baixou muitos jogadores atrás da linha da bola, eles fizeram um jogo associativo muito forte, lembrando que é uma equipe que só tem uma derrota no campeonato. O que prevaleceu foi a eficácia em converter as chances de gol, mas a partir do momento que que nosso time foi mais agressivo defensivamente, nosso jogo ofensivo cresceu e tivemos grande volume de finalizações. Fizemos ajustes importantes para o segundo tempo e tomamos menos contra-ataques, tivemos força mental de não abandonar o jogo e nisso entra a energia da torcida que trouxe o time par cima, então está muito claro, quando conseguimos colocar mais agressividade tanto defensiva como ofensiva, nossa torcida vem junto”.

Qual o planejamento para o retorno do Pedro Morisco? “Ele já tem condições de jogo, a partir de agora é disputa por posição, temos que respeitar o Pedro Rangel que entrou num momento difícil e deu conta e isso faz parte do futebol, agora vai depender do trabalho do dia a dia”.

Qual o balanço que faz do primeiro turno, está dentro daquilo que planejaram? “Sim, dentro do planejado, se replicarmos o que fizemos no primeiro, fazemos 52 pontos e vamos para a sulamericana. Sabemos que temos duas partidas dificílimas no final do turno, mas nos jogos anteriores conseguimos fazer pontuação importante, então agora é fazer igual ou melhor. Para um time que vem de retorno à série A, o objetivo principal é a permanência, e primeiro vamos buscar os 45 pontos, depois lutar para conseguir algo mais”.

Em relação ao Paulo Roberto, garoto da base que entrou e fez o gol, e aos demais garotos da base do Coritiba que podem ficar à sua disposição? “Isso é um título para a categoria de base, dar a resposta que o Paulo deu, isso vale muito. Não é um caso isolado, temos o Ronnier, o Morisco, hoje o Tissi foi relacionado, então os garotos mereceram serem relacionados, pelo trabalho do dia a dia. Temos que ajudar na formação dos garotos, envolver os pais, os amigos, para evitar o culto exacerbado individual e cultivar o trabalho coletivo. Digo que a base do Coritiba do ponto conceitual e moral, tem algo diferente daquilo que já trabalhei, e olha que eu trabalhei com a base muitos anos”.

Palmeiras e Flamengo foram citados por você como extraclasse, isso significa que há um abismo entre esses dois e os demais times da série A? “Não necessariamente, cada jogo tem seu contexto. Hoje seria muito normal um 3 x 2 para eles. Contra o Flamengo jogamos 70 minutos com um a menos, mas entendo que são equipes muito qualificadas. Tem equipes que ainda podem competir nesse nível, como Fluminense e Cruzeiro por exemplo, mas que ainda não conseguiram uma consistência. O Palmeiras é uma equipe que joga com humildade e respeita qualquer adversário, mas tem uma forma de jogar tanto em casa como fora, isso é uma questão de cultura, de trabalho e valores”.

Em relação ao Brian Ocampo, que entrou hoje e jogou alguns minutos, qual sua avaliação e o que espera desse jogador? “É um jogador inteligente, tem leitura de espaço, pode jogar nas pontas e pode jogar por dentro, hoje, no contexto desse jogo, eu o coloquei com um oito. É um jogador que está se habituando e está em início de temporada. Está entendendo os conceitos do nosso jogo e se habituando com os companheiros”.

Pode falar sobre outros jogadores da base, como o Kensane e o zagueiro Juan, sobre o trabalho que pretende realizar com eles? “Eles têm que trabalhar no dia a dia e mostrar mérito para jogar, como foi o Paulo hoje, o Tissi, o Taverna. Temos que conduzir e auxiliar esses jogadores para que tenham um crescimento e cheguem na condição de serem aproveitados. Especificamente sobre os dois citados, eles tiveram participação importante nessa intertemporada e continuam treinando conosco. O Juan é muito jovem, precisa de mais vivência e experiência como profissional, o Kensane do ponto de vista físico está muito bem, só precisamos lapidar questões individuais posicionais para que possam agarrar a oportunidade quando ela surgir”.

Qual a situação do Walison, que hoje não foi relacionado? “Ele teve evolução no seu trabalho nesses dias, mas existe o comparativo com os outros, que estão um pouco à frente, mas isso não é uma situação permanente, pode mudar logo adiante. Walison é um jogador muito querido pelo grupo e por mim que o conheço desde a época do Cruzeiro e seu aproveitamento vai depender do trabalho nos próximos dias e semanas”.
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