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Empatamos, mas merecíamos mais

Editorial

Numa partida de dois tempos bem distintos, o Coritiba empatou em 2x2 contra o São Caetano, empurrado pela torcida e pelo predestinado Renaldo. O empate paulista, aos 40 da etapa final foi um castigo para o Verdão

O Coritiba empatou em casa com o São Caetano, num jogo de dois tempos muito distintos. No primeiro, com Capixaba e Marquinhos, o Cori ganhou em toque de bola, mas perdeu em velocidade e mobilidade, facilitando as coisas para a alta e forte defesa paulista, que saiu na frente no marcador. Já no segundo tempo, embalado pelas mudanças de Cuca, que sacou Capixaba e Marquinhos para as entradas de Peabiru e Jackson, e pela força de quase 28 mil Coxas-Brancas, que fizeram o Monumental literalmente tremer, o Coxa virou a partida em poucos minutos, pelos pés dele, Renaldo, que marcou um e deu o passe para Alcimar fazer o segundo. No final da partida, o visitante empatou, num lance de vacilo da zaga Coxa. Com o resultado de 2x2, o Cori continua sem perder e agora alcança os 29 pontos, permanecendo em 12º na tabela. No próximo domingo, o Coxa vai até Porto Alegre enfrentar o Internacional.



Primeiro tempo: um futebol burocrático e previsível


O jogo deste sábado teve dois tempos bem distintos. Na primeira etapa, muitas faltas e marcação forte. O desempenho de Marquinhos e Capixaba, cadenciando muito o jogo, com trocas de passe sem velocidade, facilitou ao trabalho defensivo do time de Levir Culpi.

A primeira oportunidade foi do time visitante, com o violento zagueiro Gustavo chutando de fora da área, aos 12.

Aos 14, o Coxa daria o troco, com o estreante Renaldo. O atacante recebeu um lindo lançamento, entrou em velocidade na grande área e chutou forte, mas a zaga desviou, facilitando a defesa do goleiro Sílvio Luiz.

Aos 22 minutos, o lateral Triguinho chutou forte, mas para fora, perdendo uma boa oportunidade para o time azul.

Forte na defesa, o time adversário impedia as boas jogadas ofensivas do Coxa. Os laterais marcavam bem a Rafinha e Ricardinho, Caio não tinha espaço e Capixaba jogava muito recuado, facilitando a marcação na intermediária. Com Marquinhos abaixo da média, o Cori se transformava num time previsível, como nos tempos de Antônio Lopes, quando o time saia jogando com os volantes e facilitando as roubadas de bola pelo meio do campo.

Sem jogadas pelas laterais, a potencialidade de Renaldo dependia mais da própria individualidade do atacante, que não teve folga, sempre muito marcadado.

Aos 36 minutos, o Azulão abriu o marcador. Nascimento procurou armar o jogo pela intermediária mas teve a bola roubada. O time do ABCD paulista tocou bem os passes, e o volante Pingo armou o contra-ataque, tabelou e invadiu a área coritibana para marcar na saída de Vizzotto, que nada poderia fazer.

Depois do gol, o time Coxa-Branca procurou atacar, mas de forma pouco ordenada, apelando para cruzamentos distantes da linha de fundo, o que facilitava sobremaneira o trabalho dos dois zagueiros e do goleiro paulista, todos jogadores de estatura muito elevada.

A vantagem paulista no marcador dificultou ainda mais as coisas para o Verdão, que tinha em Capixaba uma peça apagada. Tanto que a torcida pediu sua substituição ainda no primeiro tempo. E Cuca ouviu.



Segundo tempo: um futebol veloz e empolgante!

Sabiamente Cuca mudou o time Coxa para a segunda etapa, sacando Capixaba e Marquinhos para as entradas de Jackson e Marcelo Peabiru. O time do Alto da Glória ganhou em altura e força na grande área, equilibrando o jogo, bem como ganhou em velocidade e mobilidade na armação das jogadas de ataque.

Embalado por quase 28 mil fiéis coritibanos, que cantavam incansavelmente nas arquibancadas, o time Coxa dominou a partida e pressionou o São Caetano no seu campo de defesa. Acuado, o adversário apelava para faltas e chutões, facilitando a armação de jogadas e o domínio territorial da partida.

Dono do jogo, o Cori atacava. Aos 14 minutos, Marcelo Peabiru quase empatou, aproveitando uma falha da zaga, mas a bola teimou em não entrar.

Aos 18, Ricardinho cobra bem uma falta e obriga o goleiro Sílvio Luiz a fazer uma dificílima defesa, evitando o gol coritibano.

A torcida Coxa embalava o time, que arrancava escanteios e faltas próximas da área. Nascimento avançou mais para o jogo, o que acabou ajudando as saídas de Rafinha e Ricardinho, que pecou nos cruzamentos, mas foi muito lutador, fazendo muitas jogadas pelo lado esquerdo do campo. Rafinha procurou o jogo pela diagonal, abrindo a zaga paulista. O clima esquentou, o empate Coxa estava próximo.

Aos 28, o empate Coxa-Branca aconteceu. Wagner cruzou pela direita, o goleiro saiu errado e a bola caiu mansamente nos pés dele, o estreante Renaldo. O artilheiro não perdoou, empatando a partida e indo em direção à torcida Coxa para comemorar o seu primeiro gol usando a camisa nove do Verdão.

O Coxa procurava aproveitar as jogadas de ataque, arrancando escanteios. Numa das cobranças, Flávio quase faz o seu, cabeceando com perigo contra a meta do São Caetano.

Incentivado pela torcida, o Cori botou fogo na partida. Envolvente, com muita velocidade e troca de passes mais precisas, o time Coxa avançou, indo para o ataque de forma incansável. Cuca mexeu no time, colocando mais um jogador ofensivo, o meia esquerda Alcimar, para aproveitar a velocidade e os arremates de fora da área.

Sete minutos depois do empate, novamente Renaldo (foto) apareceria muito bem no jogo. O estreante fez um excelente passe para o meia Alcimar, livre de marcação, marcar dentro da grande área: Coxa 2x1, para explosão da torcida Coxa.

Alcimar voltou a chamar a responsabilidade para si, buscando as jogada de ataque e procurando chutar de fora da área.

Num contra-ataque veloz, Jackson finta um marcador e busca a grande área, em alta velocidade, quando foi agredido covardemente pelo violento Gustavo (ex-A. Paranaense), que foi sumariamente expulso.

Poucos minutos depois do segundo gol, o Coritiba quase chegaria ao terceiro, com Renaldo. No contra-ataque, Renaldo recebeu pela esquerda, fintou o defensor e entrou na grande área, chutando com estilo, no ângulo, para uma sensacional defesa do goleiro do Azulão.

O Coxa continuava atacando, motivado pela sua apaixonada torcida, que cantava sem parar. Mas num lance fortuito, a bola cruzada pela direita ultrapassou toda grande área, quase saindo pela linha de fundo. Um jogador paulista evitou o lateral e cruzou para Jean, empatar o jogo em 2x2.

Nos minutos finais o Cori ainda tentou desempatar, numa jogada de Rafinha, que entrou em diagonal pela direita e arrematou contra o gol e num escanteio, já nos acréscimos, mas a zaga paulista afastou o perigo.

Ao final, a torcida Coxa-Branca aplaudiu a garra do seu time no segundo tempo, quando lutou bravamente pelo resultado. Mesmo não vencendo, o Coxa do segundo tempo acabou convencendo. Agora resta ao treinador do Alviverde definir qual será o time do Verdão que enfrentará o Internacional, no próximo final de semana: aquele, com ares Lopeanos, que não empolgou a torcida Coxa, ou aquele que sufocou o São Caetano durante todo o segundo tempo, e que fez a torcida Coxa literalmente tremer o ”Gigante de Concreto Armado” do Alto da Glória.
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