Joguem bem e com raça e não serão mais vaiados
Coxan@utas avaliam os comentários de Jackson sobre a impaciência da torcida do Coritiba
Faladas no 'dia seguinte' à derrota para o J. Malucelli, parecem ser (mais) um sinal de que as coisas não vão nada bem no futebol do Coritiba. Além de não vermos e ouvirmos nem Zanchi, nem Frega, muito menos Hidalgo nas coletivas pós-jogo, nas quais apenas o treinador Estevam Soares se faz presente. Além de falar sobre tática, Estevam fala sobre a cultura de um time de 96 anos de existências, dos quais ele viveu uns vinte e poucos dias, agora é a vez de Jackson falar.
Pobre Estevam, tal qual Daniel, sozinho nas covas com os leões. Estevam fez o seu papel. Para colaborar, cremos, foi além e se deu mal. Além dele, alguém do Clube precisa falar com sua torcida sobre qual é o plano de ação para o futebol este ano. Pois pelos resultadados até aqui, o panorama é trágico.
Ano passado, quando a torcida literalmente se esgoelava incansavelmente, apoiando o time montado por Oscar Yamato e Ramirez, sob os olhares da Diretoria Executiva do Coxa, sob a coordenação auspiciosa de nomes como Antônio Lopes, Cuca e Lopes Jr (excluam-se os nomes de Cláudio Marques, que fez o que pôde, assim como Márcio Araújo, que veio tratar um time moribundo), o meia-volante-ala Jackson não abriu a boca para falar sobre a torcida do Coritiba.
Este ano, Jackson já tem mais de meia dúzia de jogos onde não mostrou o porquê vestiu a camisa do Glorioso Coritiba Foot Ball Club. Então, mais do que falar, Jackson pode fazer. Cada um na sua: torcida torce, jogador joga, treinador treina, dirigente dirige, Conselheiro aconselha. É assim, simples, como os bons esquemas táticos.
Paciência tem limite. Depois de um novo fiasco, desta vez contra o J. Malucelli, a Mancha e a Império, cansadas de tanto vexame, viraram as suas faixas, mas não pararam de gritar, apoiando o time o jogo todo. E se o jogo contra o Náutico fosse em Curitiba, não em Recife, certamente mais manifestações teriam acontecido, pois outro fiasco surgiu dentro de campo.
É natural e necessário que Jackson chame para si a responsabilidade de colaborar com os jogadores mais jovens. E diga-se de passagem, nada mais justo, já que este deve ser uma das características que pesaram na decisão pela renovação com o atleta. Mas o jogador deveria rever alguns conceitos. É verdade que uma minoria xinga sem necessidade, apupa na hora errada. Sem dúvida. Mas a manifestação da maioria da torcida, que até domingo era de apoiar, apoiar, apoiar, nunca deve ser esquecida.
A vaia não constrói, é verdade. Mas às vezes, é necessário destruir para construir de novo, algo diferente, algo melhor. Não se trata de reconstruir, pois reconstruir não necessariamente conserta tudo que tinha de errado. É construir, iniciar um novo momento, uma nova fase.
A vaia se tornou desabafo. Foi a maneira encontrada, no limite à beira do desespero que o torcedor (a maioria) teve para defender um amor maior. Foi uma atitude irracional, quase animalesca, vindo do fundo da alma e do coração. Explodiu na garganta, ecoou em coro. Foi um reflexo, como a febre, que avisa externamente que algo não vai bem internamente. É uma forma de auto-proteção, de defesa de um bem maior: o próprio Clube.
Jackson parece querer buscar a tranqüilidade para fazer o time jogar bem. É uma causa justa. É certo que a vaia não ajuda a manter a calma. Mas o desabafo serve como um alerta, uma verdade que dói tanto em quem fala, como para quem ouve. A vaia de domingo serviu para quebrar um paradigma: o torcedor cansou, quer ouvir, quer saber. Quer ter uma luz no fim do túnel.
A vaia não construiu, mas destruiu algo que precisava ser destruído: a torcida acordou de uma hibernação, um sonambulismo, de um coma induzida pela queda. Agora a torcida se levantou, pronta para levantar o Clube, nos braços, na raça.
Não foi a torcida quem contratou, escalou ou entrou em campo com ares de Ludemar, Wilton Goiano e Julinho, atletas que não acertam um mísero passe de 5 metros. Paciência tem limite, Jackson! A torcida cansou de desculpas, de desmentidos, de falta de comprometimento com a causa Alviverde. Paciência tem limite, Jackson! A torcida quer um time condizente com o amor que ela tem pelo Glorioso Verdão. A torcida perdeu a cabeça. E quem gosta dela, melhor abrir os olhos enquanto é tempo.
Se existe um culpado pelo ridículo estado das coisas no futebol Coxa-Branca, que assola de tristeza esta apaixonada torcida, este culpado nunca serão os torcedores, inclusive aqueles que vaiaram. Sejamos justos: a torcida é sábia e é ela que, quando mais o Clube precisa, estará lá para ajudar.
Estamos na Série B. Mas estaremos por pouco tempo!Subiremos, nem que seja na base da vaia da torcida. Pois a vaia de uns também serve para acordar os outros que estão ao nosso lado, muitas vezes fingindo dormir, enquanto estão acordados.
Na prática, a vaia é quase que só útil como processo de mudança depois do jogo, não durante dele. Daí, ser uma ferramenta interessante quando usada no momento e na medida adequada.
E para subir na base do apoio, nada melhor que as vitórias. Preferimos que assim seja: na base do grito Coxa eu te amo!!! Coxa eu te amo!!!. Mas para isto, boas apresentações e vitórias são necessárias.
Equipe Coxan@utas
