Um empate com sabor de vitória
Em um jogo com defesa épica de Rafael, Coritiba empatou com o Galo e garantiu vaga na final da Taça de Ouro.
A classificação do Coritiba para as semifinais do Campeonato Brasileiro de 1985 já era uma realização e tanto. Igualava as campanhas das inesquecíveis equipes de 1979 e 1980. Mas havia em todos a ambição de chegar à final e também de ser campeão.
O grande problema era o adversário que o Verdão teria na sequência, o excelente Galo de muitos craques que compuseram as seleções brasileiras dos anos 80 e que só não chegou aos títulos brasileiro e da Taça Libertadores da América por ter enfrentado a grande equipe do Flamengo, reforçada pelas lambanças de José Roberto Wright e cia.
Havia muita esperança na torcida Alviverde, alimentada pelos vários feitos "impossíveis" realizados por sua valente equipe durante a competição, como a vitória épica sobre o Santos, a vitória sobre o Flamengo no Maracanã e a superação do favorito Corinthians na segunda fase. Por outro lado havia muito ceticismo, pois passar pelo Atlético-MG dos anos 80 já seria considerado improvável em condições de igualdade. Pior, o adversário contava com a vantagem dos resultados "iguais" e a possibilidade da partida de volta no Mineirão.
A situação ainda era um pouco mais complicada, pois na partida de ida, no Couto Pereira, o Coritiba não poderia contar com Rafael, que vinha operando milagres, e Lela, outro grande destaque da equipe, que sempre era decisivo nas partidas mais complicadas.
Mesmo com todas as dificuldades, o Glorioso contando com grande atuação coletiva superou o Galo pelo placar mínimo. Um grande resultado. Mas havia o temor de que não fosse vantagem suficiente para a volta no Mineirão.
Contrariando a todos os prognósticos, o Coritiba foi gigante em Belo Horizonte, e suportou uma enorme pressão da equipe alvinegra, embalada por aproximadamente 60.000 torcedores. Essa etapa do campeonato definitivamente mostrou a grandeza daquele grupo sabiamente comandado por Ênio Andrade, e apoiado por um staff apaixonado pelo Coritiba com nomes como Kruger, Frega, Sarti, Evangelino e muitos outros.
Nesta partida que terminou em 0x0, não houve gol, mas ocorreu um lance digno de ser comemorado como tal. A espetacular defesa de Rafael, segurando a pelota em cima da linha, salvando o que seria um gol contra do zagueiro Gomes, que de possível vilão, se transformou em herói pouco mais de três dias depois ao converter o pênalti que definiria o título do Campeonato Brasileiro.
Quem viveu todas essas histórias, sempre acreditará no Coritiba em quaisquer situações. Que tenhamos a fé e coragem dos heróis de 85 no atual elenco, para enfrentarmos e vencermos muitas outras missões impossíveis.
Ficha Técnica:
Atlético-MG 0x0 Coritiba - 28 de julho de 1985
Estádio Governador Magalhães Pinto - Mineirão.
Coritiba: Rafael, André, Gomes, Heraldo e Dida; Almir, Marildo e Toby; Lela, Índio (Gil) e Édson. Técnico: Ênio Andrade.
Atlético-MG: João Leite, Nelinho, Oliveira, Luisinho, João Luís; Elzo, Paulo Isidoro e Everton (Vítor Capucho); Sérgio Araújo (Alisson), Reinaldo e Edivaldo. Técnico: Cento e Nove.
Público pagante: 64.075 pessoas.
Árbitro: Luís Carlos Félix.
