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A vitória da ignorância

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O fiel Coxa-Branca Gilson Genez fala sobre as atrocidades que aconteceram após a partida contra o Fluminense/RJ


Há mais ou menos um ano, na saída do técnico Dorival Júnior, alguém levantou uma bola aqui no site: será que o Coxa era um lugar difícil para se trabalhar? Será que a cobrança não era exagerada ou a torcida pressionava demais? Será que o clima do clube não fazia com que ninguém quisesse ficar aqui? Na época eu achei que não. Afinal, a pressão e a cobrança fazem parte do futebol, ainda mais o brasileiro. Agora, porém, já não tenho tanta certeza. Ou, pelo menos, tenho a certeza de que, daqui pra frente, vai ser assim.

Seria engraçado, se não fosse trágico, que o futebol tenha virado isso. Sentimentos tão nobres e positivo quanto o amor e a paixão terem virado fúria, ódio, irracionalidade, violência. Parece que sob a desculpa da paixão, tudo é permitido: xingar o jogador que erra um passe, bater em quem gosta diferente e até depredar o patrimônio do seu objeto de “paixão”.

Na verdade o que mais me impressionou na batalha de domingo não foi a invasão de campo, o enfrentamento com a polícia, nem a depredação que se viu terminais afora. Afinal não é a primeira vez que vimos isso (apesar da escala ter sido, desta vez, muito maior). O que mais me entristeceu foi ver “torcedores” da Mauá arrancando as cadeiras e atirando para o campo. Não a turma do cincão. Não a galera dos comandos. Mas os, digamos, privilegiados. Gente que pagou um pouco mais para assistir ao jogo no conforto de sua cadeira. O irônico é que são justamente aqueles que mais reclamam do time, da falta de bons jogadores (que custam caro), de bons técnicos (idem) e de um estádio mais confortável.

Culpa-se a diretoria por tudo. E não estão errados. Foram omissos com o estado de coisas, deixando o departamento de futebol ao deus dará. Irresponsavelmente aumentando uma dívida mês a mês, sem ter de onde tirar dinheiro. Mais por ingenuidade do que por maldade, mas nem por isso, perdoável. Agora, porém, a culpa é da torcida. Ou pelo menos desse grupo que se diz torcedores. Além dos investimentos para se recuperar o Couto, da multa que certamente virá da CBF, perda de mandos e outras sanções que seguramente farão minguar a receita do Coxa em 2010, ainda criaram o adicional-insalubridade para diretores, funcionários e jogadores que tiverem coragem de entrar no Coritiba daqui pra frente.

Acho porém que a turba não está preocupada. Tem história para contar para os filhos. Quem sabe até com algum souvenir arrancado do estádio. Do dia em que enfrentou a polícia, agrediu o adversário, com sorte até bateu no arbitro do jogo. O duro vai ser explicar para seus decententes o que o Coritiba ganhou com tudo isso.

Gilson Genez é Coxa-Branca de coração.
xxx
Nota: A opinião do autor não representa necessariamente a opinião da equipe de administradores do site COXAnautas, que apenas cede o espaço à publicação.


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