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ArquibancadaSergio Brandão

Na espera do mínimo

Treino é treino, jogo é jogo, mas se prevalecer o trabalho feito nestes dias no CT, o time tem tudo para aparecer pelo menos escalado de forma diferente no sábado, contra o São Bento.

As modificações promovidas por Eduardo Batista, vão da defesa ao ataque. E além de usar os recém chegados, também pode armar um time com esquema diferente.

Na defesa, a entrada do zagueiro Rafael Lima no lugar de Alex Alves é praticamente certa. O que no mínimo mostra uma tentativa de acertar um dos grandes problemas do time: os grotescos gols que anda tomando. Rafael Lima tem tudo para dar certo, porque qualquer 'Zé Pança' deve ser um pouco melhor que Alex Alves e T.Kelven juntos. Com sua experiência, no mínimo Rafael Lima deve organizar a zaga que até aqui foi uma esculhambação só.

Do meio pra frente, o time pode aparecer com formação diferente, com Yan Sasse mais como meia centralizado, numa linha de três. Kady também anda sendo testado nesta função. Coisa que na verdade Eduardo Batista já testou em situações de emergência. Imagino que o trinador ainda saia com Sasse no centro, pelo menos tem mostrado preferência pelo jogador nas últimas escalações.

Vale ainda lembrar que em treinos da semana passada, Alisson Farias ficou fora do time principal e Chiquinho foi testado do lado esquerdo do setor ofensivo. Mas no treino de ontem, Alisson Farias voltou como titular. O que na verdade me chama muito atenção, afinal, se Alisson Farias não é lá uma Brastemp, pelo menos estava sendo um diferencial, neste meio recheado de ineficiências. Menos mal que voltou.

No ataque, Jonatas Belusso vem treinando como titular na vaga de Bruno Moraes. Na lateral-esquerda, a dúvida sobre a utilização de William Matheus, que ainda se recupera. Caso não jogue, Abner pode receber nova oportunidade.

Isso pelo menos me mostra que Eduardo Batista testa as formas possíveis, com o material que lhe dão para trabalhar. Mexe e remexe num time com poucas opções de armação. Por isso, acho prematuro crucificar o treinador.


Ainda busca soluções, são testes quase no meio do campeonato, é verdade. Tanto pode funcionar como pode não dar certo e se as contratações não corresponderem e as mexidas não funcionarem, pode esculhambar de vez com um time que até aqui não foi definido, sem ainda sequer ter onze titulares.

O Coritiba de Samir e Eduardo, anda no fio da navalha. Trabalhando no limite das condições do que pode oferecer de melhor. Os testes são necessários por absoluta falta de opção. Se não der certo, pode desandar e aí ninguém segura mais.

Podem ser as últimas tentativas de Eduardo Batista acertar. Do contrário, será a hora de remontar o time e aí sim, com um novo treinador tentar a recuperação no segundo turno. Se é que o planejamento ainda é subir.

Ainda assim, caso as mudanças funcionem nesta partida contra o São Bento, é preciso também levar em conta a fragilidade do adversário. O São Bento consegue ser um destaque negativo em meio a uma competição bastante deficiente tecnicamente.

Mas uma vitória e com uma apresentação ligeiramente melhor que as anteriores, o trabalho pode ganhar folego novo, podendo respirar com menos pressão, mas infelizmente não vai dizer muita coisa. A água já bate no pescoço, passou da bunda já faz tempo.

Enquanto isso, ficamos nós aqui, na torcida para que finalmente isso tenha um ponto final. Que acabe esta sequência de incertezas que tomam conta do Coritiba. Sem esperanças maiores, mas que se cumpra o mínimo que é acertar o time e terminar esta série B com alguma folga, sem mais sofrer. Depois, mais na frente, repensar um planejamento sério para o ano que vem.

Que termine este pesadelo e possamos novamente voltar a sonhar com um período de calmaria.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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