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ArquibancadaSergio Brandão

Vira-lata

Com todo respeito que tenho por grande parte da imprensa, especialmente a esportiva, com muitos amigos feitos durante anos de convivência, com alguns dividindo redação, outros feitos por afinidade, um deles, embora há muito tempo sem contato, Galvão Bueno também faz parte deste time. Que além de colega, foi um grande chefe na rápida passagem pela OM Brasil, depois CNT. Grande pessoa, grande chefe.

Em 1993 foi uma honra ter aprendido com este grande profissional da imprensa esportiva, mas que ultimamente anda exagerando na tentativa de vender os produtos que a Rede Globo coloca em suas mãos para convencer o torcedor que o produto é bom, como a Copa América, por exemplo, recém terminada, mas que de graça não teve nenhuma, a não ser o título vencido pelo Brasil, no Maracanã, na tarde noite deste domingo (7).

Sim, também acho que todo título tem lá sua graça, mesmo que seja de turno de campeonato regional, todo título tem sua graça, mas não é possível esconder que o nível do futebol brasileiro anda tão em baixa que vencer a Copa América não é um feito reconhecido pelo mundo como algo a ser respeitado e reverenciado. É a maior competição entre Seleções da América do Sul, este ano com dois convidados, mas perde de longe para uma competição entre clubes na Europa, pra dar um bom exemplo.

Tudo bem, são duas competições de níveis extremamente distintos, mas que alguns colegas, como Galvão Bueno, parecem não perceber este sentimento que é quase unânime, pelo menos aos que acompanham o futebol pelo mundo. Chega a ser engraçado o ufanismo dado a esta conquista, especialmente da Globo, detentora dos direitos quando tenta vender a Copa América como um produto de qualidade.

Vemos e acompanhamos porque gostamos de futebol, mas nossa inteligência precisa ser respeitada. Sem exageros, sem dar um tamanho que os cubes e o futebol sul-americano já não tem há muito tempo. Até porque a qualidade técnica desta copa América pode ser considerada como muito fraca.

Para nós Coxas, o estrago é maior ainda. Porque se não participamos nem da elite disso tudo, nosso nível de exigência é ainda mais baixo. Define nosso sentimento a frase de Nelson Rodrigues, que geralmente uso por aqui... sofremos e temos ultimamente exacerbado o complexo de vira-lata.

E é este conformismo, que parece enraizado nos porões do clube, que nos incomoda, ainda mais porque a raiz parece se aprofundar cada vez mais, sem que dirigentes e todo o comando ou conselho se mexam para tentar reverter o quadro cada vez mais dramático. O conformismo com a pobreza incomoda. Prova disso são as atitudes e manifestações.

Agem como a Rede Globo, quando tenta vender a nós uma Copa América sem graça, fraca tecnicamente, com discursos que subestimam a inteligência do torcedor.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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