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ArquibancadaSergio Brandão

Abram os portões do Couto

Enquanto Pelé vai se despedindo, levando com ele a história de uma época já morta, fico aqui a lembrar das muitas vezes que perdi pra ele, muitas delas em pleno Couto Pereira - na época Belfort Duarte. Mesmo assim, nunca o tive como adversário. Porque Pelé era patrimônio nacional, ainda é. Com a camisa da Seleção ou do Santos. Vi sua despedida, a milhares de kms de distância, na primeira vez que a televisão conseguiu fazer uma transmissão ao vivo de uma Copa do Mundo. Sem alarde, sem anunciar que estava deixando o futebol.



Na Copa de 70, no auge de sua forma, fez dos campos do México uma passarela. Deu tchau pro mundo com um futebol exuberante. Depois até seguiu frequentando estádios, jogou sua “bolinha” com a mesma categoria de sempre, mas a despedida foi aquela, na Copa do México, em grande estilo, como tri campeão, com a camisa da Seleção, que hoje qualquer perna de pau veste, nos campos ou na rua, berrando em nome de uma causa.


Na Copa seguinte, na Alemanha, o homem que eternizou a 10, já não estava mais lá. Foi quando a Copa do Mundo ou a Seleção Brasileira começou a perder a graça para mim.


Vi Coritiba e Vila Nova, ontem, pensando o tempo todo nisso. Não cabe comparação, não cabe saudosismo. Épocas diferentes, futebol que passa de pai para filho, que preserva a mesma paixão, com Gamalho ou com Pelé.



De ponto em ponto, o Coritiba vai seguindo ao que parece inevitável. Mesmo tomando pressão, mais uma vez Wilson disse porque ficou, porque é titular... o Pelé do nosso gol. Mal ou bem, somou mais três pontos e neste caso é o que mais importa. Depois a gente vê como faz, mas agora, precisa fazer exatamente assim. A sorte que até bem pouco tempo passava longe do Couto, parece estar de volta. Com este futebol que temos e com ela, a sorte, juntos chegaremos lá.



Estou me candidatando a ser um dos 5 ou 10 mil que estarão no Couto, (não sei quantos lugares serão liberados para o jogo contra o Guaraní), não só para ver o time em campo e prestar meu apoio, mas pra chegar bem cedo e rever minha casa que há anos não entro. E ficar ali sentado, quieto, no meu canto, recuperando as muitas histórias que vivi ali dentro, de Pelé a Robinho, ou Alex, ou Tostão, ou Kruger, ou Zé Roberto. Se isso me for permitido, não será para beber com a torcida na Mauá. É pra chegar cedo sim, entrar, escolher um canto e namorar o Couto o tempo que der.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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