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ArquibancadaSergio Brandão

“Agora a coisa vai! ”

Torcer para o Coritiba deve ser como ser pai de criança mal educada. Você briga, repreende, adverte, mas se surpreende e fica feliz diante de uma atitude educada. Foi assim que nosso time nos tratou nesta rodada. Aliás, surpreendeu até o dono da casa que imaginava ter a seu favor todos os ingredientes para fazer uma grande festa em casa.

A criança mal educada tratou de colocar água no chopp dos caras. Fez travessura, e se abraçou com os três pontos que o dono da casa julgava ser seu, que aliás vieram em boa hora, para se somarem com os demais já conquistados e ver se consegue passar de ano, desta vez sem recuperação.

Em noite de Rildo, de Alecsandro e até de Filigrana, quem diria. Noite que deu tudo certo para o Coritiba e deu tudo errado para o São Paulo. Em mais uma noite que Wilson precisou trabalhar, mas desta vez acompanhado de seus parceiros de time. Não esteve sozinho, como em outras oportunidades.

Finalmente vimos um Coritiba como precisa ser, principalmente em jogos fora de casa. Se fechar, e com tranquilidade tocar a bola apostando nos contra- ataques. Coisa de time pequeno? Não importa, é assim que precisamos nos comportar, quem sabe até em casa, talvez com um pouco mais de ousadia nos jogos no Couto Pereira. Não temos bala na agulha para pensar em superioridade. Precisamos nos impor, nos fazer respeitar, como foi contra ao São Paulo, em bolas onde parecia estar a vida e a morte de alguns. Coisa que não se via neste time há muitas rodadas, com gana, garra, briga, vontade e calma quando foi preciso, para o toque, buscando um companheiro, sem rifar a bola, como sempre foi, por falta de alguém que comande o meio.

Foi possível ver um time mais confiante fazendo a bola passar pelo meio. Os passes até saíram e erraram menos. Parece que temos uma criança, ainda aprendendo os primeiros passos. É pouco, mas o caminho parece ser este mesmo, acertar primeiro no fundamento, onde também havia muito erro. Carrega no colo se for preciso, mas não deixa baixar mais este padrão... é daí pra cima.

Rildo pode ser útil se for este jogador que entrou em campo contra ao São Paulo, longe do perdido jogador que foi até agora.

Estamos todos loucos para festejar mais uma vitória, desta vez em casa, domingo que vem. O que daria nova confiança e segurança não só a todo o elenco, mas também ao torcedor. A grande oportunidade está na próxima rodada pra somar mais três pontos e assim embalar rumo ao bolo dos 10 primeiros colocados.

Marcelo Oliveira tem bons motivos para festejar a sua primeira vitória. Ela vem num momento mais que oportuno.

O torcedor ainda é aquele que olha desconfiado a criança mal educada, que pode surpreender negativamente, como já fez em outras oportunidades. Quando a gente pensa que aprendeu a lição, lá vem ela com nova travessura. Mesmo assim, me junto ao time dos otimistas, no coro que fazemos a cada passo à frente: “AGORA A COISA VAI”!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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