Ao torcedor
Entendo a raiva, o ódio e principalmente a vontade da maioria, de buscar um culpado, um responsável, mas o que dói mesmo é esta sensação de impotência de nada poder fazer, a não ser apoiar o time ou não, como parece ter sido a opção de muitos.De gritar na arquibancada, ou deixar de ir aos jogos, de cancelar a adesão como sócio, de torcer por encontrar o Glenn na rua, alguém da diretoria, ou jogadores e cobrar vergonha na cara, de meter a boca e esculhambar o primeiro que aparecer pela frente. Não é o que eu faria, mas sei que tem quem torce por um coincidência destas.
Não tenho a intenção de fazer a cabeça de ninguém, mas sei lá se por conta da idade, de ter visto muita coisa e aprendido um pouco do exercício da paciência. Precisamos disso, de disciplina e autocontrole. Não é preciso entrar em aulas de Yoga, se inscrever em cursos de budismo, mas dá pra se manter sem cair nos excessos.
Como todos vocês, também tenho saído muito puto do Couto ou da frente da tv nos nossos jogos. No entanto, horas depois a bola baixa e a vida segue.Mesmo que passe o dia ruminando ou dormindo mal, até passando o dia todo chateado com esta merda em que nos meteram.
Não concordo com a maioria. Não acho que a solução esteja na falta de “contundência “das críticas nas redes sociais, de demitir treinador recém chegado, de mandar embora meio time, de xingar os caras etc etc etc. Acho sim, que temos um time muito ruim, mal planejado, erraram feio nas contratações, mas nenhum treinador dará jeito nesta encrenca enquanto não chegarem os reforços pra mudar a cara deste time. No máximo, acho que o Zago podia abir mão deste esquema de três zagueiros e tentar nova formação. O cara é teimoso? Não sei, parece que sim, mas nossos problemas são bem maiores que esta aparente teimosia.
Além do Coritiba precisar de um pacote grande, de pelo menos 5 ou 6 novos jogadores e que venham pra ganhar a titularidade, ainda vamos precisar torcer para que funcionem, deem certo, que cheguem e fechem a engrenagem que ainda não temos. Até lá, vamos sofrer com esta mediocridade instalada. Ah, também rezar, porque não sei se o problema não é maldição.
Não resolve gostar ou desgostar de um ou de outro, colunista, de site,de influencer, de dirigente ou jogador e extravasar a raiva, metendo a boca no primeiro que aparecer pela frente.
O Coritiba sofre de um mal crônico, de anos, com origem nas suas administrações que refletem no futebol nesta mediocridade que vivemos. Para alguns isso é novidade, para outros não. E mesmo assim, o desejo incontido é de meter a boca no primeiro que aparece pela frente, sem se dar conta do papel ridículo que é cobrar a própria torcida por este estado de coisas que resultam neste momento ridiculamente histórico do clube.
A situação é tão patética que o “ barraco” anda comendo solto entre a própria torcida, como se estivesse nela a responsabilidade por tudo isso.
A paciência de esperar até que o grupo de investidores assuma e comece a trabalhar é o exercício que proponho, não vejo outro caminho. Mesmo que para alguns a postura seja de deserção, porque na “mão de investidores, o Coritiba perde sua identidade”.Já vi isso por aí.
Gente, a torcida é o único grande bem que resta deste clube. Apesar de tudo, ainda é o nosso maior patrimônio. Não criem mais confusão dentro da própria casa. Sigam cobrando no jus sperniandi, mas não percam a mão. Esta situação está com seus dias contados, quero crer.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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