Aspirante, o que aspira crescer
Não só pela qualidade do futebol jogado, mas porque era certeza de ver alguns nomes no time principal, dali alguns dias. Era quase como pagar um ingresso para ver dois jogos.
Aliás, rodada dupla era outra prática muito comum na época. Prática banida dos estádios por conta da impossibilidade de convivência das torcidas, que não conseguem habitar o mesmo espaço. Mas um dia já foi possível ver no Couto Pereira, as quatro torcidas da capital juntas.
Mas voltando a falar das preliminares. Elas eram assim, jogadas pelos aspirantes que mais cedo ou mais tarde estariam defendo o time principal, geralmente saídos das categorias de base, que na época eram chamados de juvenil, infantil e até fraldinha. Por falar em fraldinha, as crianças fizeram por muitos anos, os 15 minutos de intervalo do jogo principal, alegria de muitos nas arquibancadas. Era um festival de futebol as tardes de domingo.
Estas categorias ganharam outros nomes, outras filosofias de trabalho, também outros aliados que acabaram dando outro rumo ao futebol.
Voltando aos aspirantes, principalmente no Coritiba, hoje fazem o caminho inverso do que fizeram naquela época. Hoje no aspirantes, estão os que não deram certo no principal. Os que foram obrigados a fazer o caminho contrário daquele período.
Hoje, logo que saem das categorias chamadas sub alguma coisa, e já entram no principal. Vai da necessidade do momento de cada clube usar ou não seus meninos que em muitos casos ainda precisam de um longo período de maturação.
Alguns se queimam e ficam pelo caminho, casos muito comuns no Coritiba. A necessidade e o despreparo das ultimas administrações tem obrigado o clube a tomar este caminho mal planejado e que é preciso corrigir de alguma forma. Creio que ainda em tempo.
Antes era preciso confirmar algum talento, primeiro no aspirante, como o próprio nome diz, (deveria estar lá só quem aspira algo maior), para depois se consolidar no time de cima , no principal.
Hoje o processo é inverso. Primeiro queimam o jogador no principal, como disse muitas vezes, por necessidade, para depois, quando o atleta é derrubado da árvore como fruto ainda verde... precisa retroceder e compor o time de aspirante, quando já passou e se queimou no principal.
O Coritiba está tão cheio destes exemplos. Desnecessário citar nomes. Quem acompanha o dia a dia do clube sabe exatamente quais são estes atletas que hoje prestam serviço ao grupo de aspirantes e que já foram desprezados no time principal.
Não é por acaso que o futebol de antigamente sempre vem como exemplo ou modelo de qualidade.
Sei que esta conversa irrita os mais novos que não viram isto, mas não por acaso também pedem pelo mesmo que todos nós: um futebol com o mínimo de qualidade.
Se temos um consenso, então parece que só falta escolher o caminho certo para fazer isso acontecer de novo.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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