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ArquibancadaSergio Brandão

Atletiba com novo tempero

Claro que torço pelo sucesso desta nova fase na relação Atletiba. Isso pode ter efeitos inimagináveis na arquibancada, nas ruas e principalmente nas relações diretas entre torcedores dos dois lados.

Os presidentes pensam profissionalmente, procurando acima de tudo o melhor para seus clubes e por consequência ao futebol paranaense.

Sinal de um tempo do futebol moderno, que hoje precisa de estratégias de marketing de promoção de eventos da grandeza de um atletiba, por exemplo. Levar um bom público ao estádio, já não depende mais da paixão das duas torcidas, da rivalidade, do prazer que existe em vencer o rival. Por trás desta iniciativa, de Bacellar e Petraglia, está a necessidade dos dois clubes de se reerguer, parece que procuram no rival a força para superar a crise financeira que vivem.

Por aí, as avaliações são as mais diversas. Há os que não acreditam em Petraglia, achando que por trás desta aproximação existam interesses sordidos, e que lá na frente o tapete de Bacellar será puxado.

Do outro lado, estão os que comemoram a aproximação. Acham que ela pode mesmo significar a redenção do futebol paranaense. Que só assim, Coritiba e Atlético podem sair do buraco financeiro que se meteram.

Eu particularmente sou do turma que prefere aguardar pelos resultados. De fato Petraglia não é confiável, mas Bacellar não é bobo e está cercado de gente pra lá de experiente. Rogério Bacellar não tem o poder de decisão. Não é a rainha da Inglaterra e precisa de um consenso para decisões importantes.

Na mesma mão, transitam outras questões que pegam carona na ideia: há os que apostam em redução na violência, em menos quebradeira nos terminais de ônibus, menos perseguição entre torcedores na saída do estádio. O exemplo vem de cima, sim. E nisso acredito mais que tudo. Sem dúvida teremos um atletiba mais calmo.

Mas por enquanto, consigo comemorar apenas a calmaria entre torcedores. Parece que nesta primeira experiência teremos mesmo um Atletiba mais seguro, menos violento fora de campo. Outras promoções devem acontecer até a hora do jogo e isso reforça uma rivalidade sadia. Só por isso a decisão já terá valido.

De resto, confio na boa intenção: até que prove contrário, Bacellar e Petraglia caminham para um novo tempo no futebol paranaense. É um começo, mas a intenção parece ser a melhor possível.

Os tempos são outros e a administração do futebol também precisa mudar.

Isso me lembra fim de casamento, quando os dois lados mal se falam e evitam frequentar o mesmo ambiente. Passada a tempestade, percebem que deve haver respeito a tudo que viveram juntos. É necessária a convivência pacífica, afinal o casamento tem filhos e a educação deles depende do ex-casal.

Coritiba e Atlético já foram casados, se separaram, e tiveram muitos filhos. Alguns rebeldes que dão trabalho até hoje. Em nome deles, que se conviva pacificamente. O exemplo vem de casa. Não precisa tomar café da manhã juntos, se visitar sempre, ir ao cinema, apenas viver pacificamente.

O que vier junto, será um grande lucro para ambos.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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