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ArquibancadaSergio Brandão

“Bacellar tem culpa no cartório!”

Não sou procurador e nem assessor de imprensa de Alex, mas aos seus críticos e fãs, tenho algo novo a dizer. Acabo de ler o livro dele, lançado há mais ou menos um mês. Digo a vocês o que disse a ele.

O livro “Alex, a Biografia”, não é um livro de conto de fadas, como muitos podem supor. Tem sofrimento, sacanagem, traição, tristeza, mas coisas boas também. Já li muitas biografias, e a dele está aberta, sem pudores, quase desmistificando o ídolo. Esta é a grande diferença para os outros trabalhos neste ramo da literatura.

Além do mais, o trabalho de pesquisa do jornalista Marcos Eduardo Neves, foi de muita competência, mas antes de tudo, honesto e cuidadoso. Parabéns aos dois pela qualidade do trabalho. Ao Neves pela pesquisa e dedicação e ao Alex, por permitir que sua vida pudesse ser aberta assim, desta forma tão franca.

Entre tantas outras questões, o trabalho ajuda a gente a entender - de um outro ponto de vista, este mundo do futebol. Os bastidores, por exemplo, que poucos conseguem acesso. Suas dificuldades, alegrias, e o glamour do entorno.

A grande sacada do livro, que foi logo pescada pelo Neves, talvez esteja na desmistificação do ídolo. São mais de 100 páginas de relatos e depoimentos de muita sacanagem e sofrimento. Isso misturado ao caráter e personalidade de Alex, torna ele um cidadão comum, quase como nós. É um trabalho biográfico de um esportista , como um dos melhores que li até hoje.

Kleina, Ceará e Robson

As primeiras contratações que começam a desenhar o Coritiba de 2016, já indicam comedimento no que deve ser a base do time. Ainda falta coisa. Falta gente pro meio e um atacante forte. O time está desenhado do gol ao volante. Na verdade isso vai depender de como Gilson Kleina vai querer o novo Coritiba.

Lá na frente, não imagino que esteja em R. Lucas, Kleber e Evandro, as esperanças do que pode se esperar de um atacante que resolva , que seja solução definitiva. Tenho apenas um sentimento em relação a estes três: ESPERANÇA. Com otimismo, muito otimismo, consigo sim acreditar que precisa ser agora. É matar ou morrer. Se não, entram na curva descendente da maturação de um atleta,caso de R, Luas e Evandro, e Kleber por conta de chegar em vias de encerrar a trajetória dele no futebol.

Se é para ser otimista, então vamos lá. De R. Lucas, ainda é possível esperar melhores dias. Quero acreditar que 2016 será de fato o ano dele. Esteve machucado, voltou este ano, jogou um regional bem aceitável, mas sumiu no brasileiro. Quem sabe em 2016 recupere a confiança, acerte a cabeça e nos dê alegrias.

De Kleber, só consigo esperar o último suspiro. Já mostrou que está mais calmo, amadureceu, conseguindo fugir das confusões, mas sobre ele pesa a idade e apenas por isso, imagino que esteja conjecturando que será no Coritiba sua derradeira chance. E que use mesmo o Coxa como um grande marco para a sua história no futebol, que sem dúvida foi mais de glórias, mas que ainda carrega a marca da polêmica, e que tenha em mente que ainda nos deve algo muito maior do que fez pelo Coritiba até aqui.

Em Evandro parece ainda não ter chegado a maturidade. O encantamento, o deslumbre com a fama atrapalharam o caminho do menino. Parece ter faltado alguém que lhe ponha na linha e o chame para a responsabilidade. Ainda falta uma maturidade, que aliás não é muito comum em atletas na idade dele. Como não é um jogador genial, apenas com algum talento e sorte, fica a incógnita: ou desabrocha agora, em 2016, ou cai na vidinha do atleta mediano, que nem cheira e nem fede.

Muito mais ainda se espera dos nossos dirigentes. Ainda precisam nos convencer, mostrar muito trabalho para que consigam ganhar a confiança da torcida. Será uma tarefa dura, sim. Porque primeiro é necessário se redimir de todas as "patetadas" feitas este ano, reconhecendo erros. Ainda pesa sobre eles, a imagem da incompetência e principalmente a falta de conhecimento do que é administrar o Coritiba.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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