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ArquibancadaSergio Brandão

"Base" Fita Azul

Fizemos o inverso deles. Enquanto mandam o time principal para excursionar pela Europa, o sub-23 fica aqui, disputando o Campeonato Regional. Na contramão, ficamos com o time principal por aqui, para brigar por mais um título estadual e mandamos o sub-19 fazer escola lá fora. Estamos nos dando bem!

Desta vez, a estratégia deles foi tão mal planejada, que para piorar as coisas, o time sub-19 do Coritiba, já faz mais sucesso lá fora que o principal deles com uma pré-temporada mais longa e muito esnobe para o meu gosto, para os padrões e qualidade do que conseguem no seu departamento de futebol.

Uma saída tão mal planejada, que quando voltaram perceberam que estavam sem calendário e colocaram o time principal pra jogar o paranaense, coisa que desdenham há dois anos. Foi um tiro no pé. Deu no que vimos: Torneio da Morte para nunca mais falar mal do Campeonato Regional, se é que aprenderam a lição.

A ironia é provocada ainda mais com o sub-19 Coxa, na Dallas Cup, nos Estados Unidos, vencendo as duas primeiras partidas de um torneio de respeito, disputado por equipes de tradição, como Tigres do México, Valência da Espanha, etc. Nos dá motivos de sobra pra acreditar num trabalho no mínimo certeiro feito nas categorias de base do Coritiba.

Eu que sempre fui um crítico deste trabalho, me rendo agora aos resultados colhidos até aqui. Se revelam talentos, se surgem craques, é conversa para outra hora, em outra oportunidade. O fato é que a base finalmente parece trabalhar em alicerces sólidos, conseguindo cumprir seu papel principal que é o de preparar talentos para uso no time principal e futuramente fazer o caixa. Grosseiramente, é isso que se espera de uma base com trabalho de visão estratégica de um clube como o Coritiba.

Pra não falar apenas baseado nos resultados, como o do sub-19 em Dallas, já é possível também ver um número bem significativo destes meninos, hoje profissionais, ascendendo ao time de cima. Se muitos ainda não servem ao time principal, pelo menos já rendem algum dinheiro com empréstimo a outros clubes.

Fita Azul em 72

Coritiba fora de casa me remete a conquistas históricas. Precisamente final dos anos 60 e começo dos anos 70, quando já fazia das suas em gramados da Europa e África, primeiras excursões do clube, quando começava a conquistar o status de Fita Azul, época que o título ainda era conferido pela extinta CBD, hoje CBF, mas que foi perpetuado pelo jornal Gazeta dos Esportes, de São Paulo. Só para clubes que voltavam invictos das suas excursões. E foi o que o Coritiba fez em 1972, em nova excursão feita naquela oportunidade apenas pela Europa. Foram seis partidas - quatro vitórias e dois empates.

O time comandado por Kruger, Zé Roberto, Paulo Vechio, Tião Abatiá, Nilo, Célio, Dreyer, Hélio Pires, Leocádio e Claudio Marques, passou pela Turquia, Marrocos e Argélia. Enfrentou a Seleção da Turquia, Fenerbahçe, Seleção Olímpica de Marrocos, entre outros.

Que estas lembranças sejam no mínimo um presságio, agora que venha um título internacional. Que venha seja agora, com o sub-19, na Dallas Cup.

Sonhar é preciso! Por que não?

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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