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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Calem a boca!

A cada dia me surpreendo mais com a falta de percepção de dirigentes e atletas, se superando todos os dias, expondo o Coritiba sempre de forma ridícula. Agora inventaram uma conversa que não concentrar é bom para as finanças do clube, diminui custos e a iniciativa, além de protesto contra os atrasos no pagamento dos salários, também tem a intenção de ajudar o clube, na contenção de gastos. Calem a boca, por favor!

Se juntarmos todos os textos, de todos os colunistas, publicados nos dois últimos anos, (isso significa duas administrações), teremos um apanhado do que tem sido o Coritiba neste período. O que temos é uma repetição de reclamações, de desabafos de colunistas e comentaristas, todos relacionados a vários problemas do clube. A única diferença é que as reclamações se alternam com Campeonato Brasileiro, Estadual e Copa do Brasil.

Fizemos deste nosso espaço, aqui no COXAnautas, um cantinho de lamentações, de choradeira. Se colocar na balança, ultimamente mais reclamamos do que festejamos. Muito mais, aliás. Viramos o torcedor ranzinza, intolerante, criado e marcado pelo tempo que anda nos judiando apenas com histórias tristes.

Não crescemos mais. Pelo contrario, regredimos. Subimos dois degraus, para descer 4 ou 5. Vivemos como pequenos, já sem esperança porque lá na frente não é possível mais enxergar dias melhores. Nossas lamentações e medos vão brigando contra a realidade nua e crua, pra lá de doída.

Isso tudo também se repete no público que frequenta o Couto Pereira, cada vez menor. A maior torcida do estado começa a desistir. Cansada e judiada, se recusa a pagar caro pela incompetência das administrações que se instalaram no Coritiba Foot Ball Club.

Antes mesmo da partida contra o Rio Branco, numa conversa longa com um amigo, ele deixou escapar uma frase que retrata bem a nossa realidade: “hoje somos um clube de segunda, que ainda insiste em manter as aparências de primeira. Precisamos de um choque , colocar os pés no chão e fazer o feijão com arroz”.

Estamos desconectados da realidade. Mas os últimos resultados contam melhor esta história.

O Coxa –Branca legitimo, aquele acostumado com vitórias e títulos em nossos melhores dias, ao sair de casa, a caminho do Couto, se alguém lhe dissesse que Coritiba x Rio Branco seria um jogo de 6 gols, o cara menos avisado comemoraria dizendo - “ oba, hoje tem goleada, o Rio Branco sempre foi mesmo nosso freguês”! Impossível acreditar que seria neste patético empate de 3x3 , onde sempre estivemos atrás do placar, buscando o resultado de forma desorganizada, sem inspiração e nenhum alento ao torcedor que não chegou ao número de 6 mil nas arquibancadas do Couto em mais uma noite de uma história triste.

Não foi por acaso, que o gol de empate foi do goleiro, como também foi do goleiro a culpa pelo primeiro gol. Aliás nada é por acaso, principalmente quando o assunto é Coritiba e suas administrações.

Somos o que somos porque fizemos força para chegar até aqui. A mesma força que Arion Cornelsen e Evangelino fizeram, mas em sentido contrario, para erguer o estádio e montar times imbatíveis, em anos anteriores.

Precisamos recomeçar o Coritiba, mas primeiro acho que será preciso resetar a máquina, e não deixar nada na memória.

Mais um desabafo entre tantos. Me desculpem, mas é meu sentimento neste momento.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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