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ArquibancadaSergio Brandão

Clube grande... time pequeno

Não é possível passar por estes 106 anos que o Coritiba completa no próximo dia 12, sem lembrar de uma questão levantada por um comentarista, aqui do site. Na verdade foi uma ideia que trocamos - eu e Sandro. Falávamos de jogar fechado, contra os grandes, como propus em texto anterior. Na minha opinião, assim o Coxa admite seu tamanho de time sem muitas pretensões neste brasileiro, apenas lutando para se manter na série "A" do ano que vem. Julgo mais seguro jogar fechado, porque assim é possível garantir - quem sabe- pontos contra os grandes, coisa que muito raramente conseguimos nos últimos jogos em casa.

Meu amigo Sandro retrucou, dizendo que isso seria admitir o Coritiba como pequeno, coisa que não é. Justamente neste ponto, acho que chegamos numa questão difícil de discussão. Acredito ser necessário separar duas questões: o clube e o time.

O Coritiba é um clube grande, sim. De história e tradição e sempre será, mas hoje, com um time pequeno, fraco e incompetente. Nossa meta é não cair (mais uma vez). Pensamento pequeno, de quem se contenta com pouco.


Sendo assim , quando enfrentamos times melhores, já que almejamos apenas não cair, devemos nos comportar para que tenhamos sucesso neste propósito. É suicídio, com este time, achar que teremos sucesso, indo pra cima de Atlético MG, Corinthians, Palmeiras, Santos, Grêmio e mais uns dois ou três times deste brasileiro.


Como disse em coluna anterior, podemos nos igualar em qualidade técnica aos últimos 8 ou 7 times que brigam pela parte de baixo da tabela. Condição difícil de aceitar, para quem sempre viveu se lambuzando de títulos, vitórias e glórias, mas nossa realidade hoje é esta.

Além de ser a figura que mais sofre nesta história toda,o torcedor é o único que fica para apagar a luz, quando a “vaca já foi pro brejo” e todos saem em retirada, para cuidar de suas vidas, procurando outro lugar para trabalhar. Treinador, atletas e até dirigentes, não sofrem tanto quanto o torcedor. Provavelmente por isso, a dificuldade de se relacionar com situações como esta: de torcer por um clube grande, mas que há anos vive a vida de pequeno, em muitos casos tendo que engolir à seco surras dentro de casa, coisa que também, em outros tempos era difícil de acontecer.


Foi-se junto com as glórias, a mística do Couto Pereira. Do time imbatível em jogos dentro de casa. Sobra muito pouco para a torcida comemorar.


Na proporção que as alegrias surgem, comemoramos. Vitórias seguidas em atletibas, ter o rival como freguês, tem sido o nosso ponto alto, nas comemorações dos últimos anos. Mas convenhamos, é pouco para quem já teve bem mais que isso.


Virou rotina perder em casa uma partida qualquer, e no dia seguinte bater a poeira e dar a volta por cima. É o que estamos fazendo ultimamente.

Foi-se o tempo que a perda de um título estadual, como o deste ano, por exemplo, abalava as estruturas do departamento de futebol. Nos melhores anos da história do Coritiba, a casa caia em casos como este não sobrava uma cabeça para contar ou apontar os responsáveis. Caia pelo menos meio time e ninguém era poupado. O nível de exigência era grande. Hoje, no dia seguinte a uma derrota com goleada para o Operário de Ponta Grossa, na decisão do Paranaense, o barco segue seu curso, como se isso já estivesse incorporado à rotina do clube.

Vencer um atletiba sempre foi gostoso e todos os últimos são igualmente deliciosos, mas sabemos que isso não é missão impossível, porque o rival também anda mal das pernas e nivelamos com eles na qualidade do futebol jogado. Não é por acaso, além da necessidade de gestão, que Petraglia e Bacellar andam de mãos dadas nos últimos tempos.


Na porta de comemorar 106 anos de vida, contamos uma história invejável, mas no futebol de hoje, camisa não ganha mais nada.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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