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ArquibancadaSergio Brandão

Como noiva abandonada no altar

Se a unanimidade é mesmo burra, aqui morremos de inteligência. Torcendo para o mesmo clube, tendo os mesmos interesses, ainda discordamos e defendemos até o fim nossas ideias nas trocas de comentários dentro do COXAnautas.

Ainda vai dar muito que falar a partida amistosa promovida pelo Palmeiras, no final do mês, na Allianz Arena, para despedida de Alex, com os craques que foram parceiros dele no período em que esteve jogando pelo verdão de lá.

Já vejo pelas redes sociais muitas manifestações contrárias ao jogo. Pelo Coritiba, a despedida foi contra o Bahia, no Brasileiro do ano passado e muitos dão como seu último jogo como profissional, e foi. Pelo Palmeiras, Alex se despede de uma outra torcida, numa brincadeira, onde também foi importante. Logo, se a coisa continua, vão se manifestar contra as “peladas” de fim de semana, se Alex jogar sem a camisa do Coritiba.

Alex foi revelado aqui, fez seu nome aqui, rodou o mundo e se consagrou como um dos maiores com a 10. Se apresentou como torcedor do Coritiba, coisa que ainda é. Pelo menos é o que ele diz. Mas isso não pode impedi-lo de viver profissionalmente como todos nós, nas mais variadas profissões. É que o futebol vive de um certo glamour, que não existe em outras profissões, e não expõe como sempre estão expostos os atletas de futebol. Uns fogem disso, outros gostam.

Ainda parece existir uma grande mágoa de muitos torcedores, por Alex abandonar o futebol profissionalmente, sem ter jogado mais um ano pelo Coritiba. Justamente agora, quando seu talento seria extremamente útil.

Ultimamente, Alex tem falado demais e tem mais atrapalhado do que ajudado. O caso mais recente foi a ida de Dudu, por empréstimo ao Criciúma. Outras aparições do “menino de ouro” também andam passando da conta, mas isso podemos deixar por conta e avaliação de cada um.

Não me surpreende se logo Alex for convidado para mais uma partida de despedida, também pelo Cruzeiro, onde foi idolatrado e onde levantou títulos importantes.

Quem de nós não comemorou a volta de Alex ao Coritiba? Quem questionou a sua vinda naquele exato momento, onde tudo parecia ser maravilhoso? Quem seria capaz de supor que começaria ali uma fase ruim para o clube? Parece que é este o peso que Alex carrega. De não ter sido o salvador da pátria, de não ter dado nenhum título importante ao Coritiba, em toda a sua passagem por aqui. Alex veio e com ele também vieram mais problemas que solução -e que nem foram causados por ele. Custou muito caro pelo que nos deu em troca.

Alex não é nosso e nunca foi. Antes de ser torcedor, foi profissional do futebol, como Pachequinho que vestiu a camisa do maior rival (já em fim de carreira é verdade), mas hoje é funcionário do Coritiba e ninguém nunca o cobrou por isso.

Vivemos com Alex como mulher abandonada no altar. Acreditamos numa relação de namoro e de casamento que nunca existiu. Alex voltou pro Coxa pra trabalhar. Trocou dinheiro pelo trabalho. Por sorte nossa, tudo isso aconteceu dentro do clube que ele sempre torceu, mas não como nós, torcedores de arquibancada. Jogador de futebol não torce, trabalha. Jogador de futebol não declara amor ao time que joga, beijando o escudo pregado na camisa. Aquilo é apenas um ato de aproximação com o torcedor de arquibancada. Não se iludam. Alguns podem se sentir melhor num clube por uma série de circunstâncias, mas nunca por amor.
O amor de Alex pelo Coritiba, se é que existiu, ficou no meio do caminho. Faz muito tempo que a relação entre ele e o clube é outra. Deixem o cara cuidar da vida dele.

Coritiba x Fenerbahçe
Rola uma conversa por aí, que depois que a diretoria do Coritiba soube do amistoso promovido pelo Palmeiras, anunciou que planeja fazer uma partida amistosa de despedida para Alex, na Turquia, diante do Fenerbahçe.
Deixem isso pra lá, guarda este dinheiro para coisas mais importantes e urgentes que temos aqui. Encerra definitivamente este assunto Alex.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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