Coritiba, nosso amor!
Nossa história foi feita de tantos créditos, que ainda sobram mais histórias alegres que tristes.
O Futebol nada mais é do que este sentimento que todos temos, na emoção desta brincadeira deliciosa que é torcer. Coisa que faço há 55 anos. Um sentimento só passional. Capaz de unir como também de desunir. Futebol de histórias que exacerbam e que vão do céu ao inferno.
Desde criança convivo com o Coritiba. Foram alguns senhores do futebol que me ensinaram este caminho. Meu bisavô viveu o período de fundação do clube.
Como definiu Nelson Rodrigues, eramos uma pátria de chuteiras- em verde e branco - com o emblema do Coxa na ponta.
Foi com este sentimento que aos meus 29 anos vi o Coritiba Campeão Brasileiro, em 85. Meu vocabulário é pobre pra definir exatamente o que vivi naquele dia e nos jogos que antecederam à decisão.
Quem viveu aquilo sabe do que estou falando. É algo que definitivamente não cabe dentro da gente. Não há neste mundo palavra que defina o sentimento daquele momento.
Ainda não vivi nada parecido. Não há nada igual ou próximo, que possa servir de parâmetro de comparação. Um sentimento que dura horas, dias. Lembro que cheguei a pensar que se tudo acabasse naquele momento, não me importaria. Me dava por satisfeito e realizado, com nada mais a esperar da vida. É mais ou menos isto. Um sentimento inocente que enche a gente de felicidade, que parece transbordar.
Mas a gente ainda teima em tentar explicar não só o título maior, mas esta relação maluca. Se referir a este clube só pode ser com a palavra amor, que a gente imagina existir só na gente. Mas não é assim, é um amor dividido com milhares de pessoas e todos sabemos disso e aceitamos passivamente esta divisão.
É em nome deste amor que discutimos, brigamos, choramos, nos emocionamos... Seja onde for, em que divisão do futebol nos colocarem. Mal sabem os adversários, deste sentimento, porque se soubessem, não perderiam tempo com outro time.
Cabemos todos dentro da mesma casa, do mesmo coração, do mesmo clube, dentro de um estádio que chamamos carinhosamente de Couto. Onde gritamos e choramos. Empurramos seja lá contra quem for, em nome deste amor que temos pelo Coritiba.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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