Corpo mole
De agora em diante, a esperança dos poucos torcedores ainda se agarra em possibilidades que começam a ser desenterradas depois de análises mais profundas. O fio de esperança agora já é bastante frágil.
A raça é uma possibilidade, sim. Mas eu pelo menos já sei que raça não é bem a característica deles. Alguns em fim de carreira, outros acomodados e mais uma meia dúzia- a turma do chinelinho - que sempre foi e será apenas o reforço que trouxeram para o departamento médico, e que nunca estarão entre os 11, jogando e defendendo as cores do Coritiba.
Na edição desta semana da TV COXAnautas, afirmo que este time está dando tudo o que pode, mas isso ainda é pouco, muito pouco para o que precisa o Coritiba daqui pra frente. Não vão jogar mais do que isso, mesmo que ainda reste algo além do que já deram. Porque mesmo assim será pouco.
Entendo o torcedor que, se lá estivesse, agiria de outra forma. Mas somos apenas torcedores, temos uma relação passional com o clube. Eles não, são profissionais e treinados desde cedo para este comportamento que estão tendo com o Coritiba e que sempre tiveram por onde passaram e alguns ainda vão passar. Deveríamos ter pensado nisso quando escolhemos nos colocar na condição de torcedor. Nosso lado é muito mais frágil porque aqui existe amor e paixão. Do lado de lá não. Eles trocam trabalho por dinheiro.
A minha esperança, na mudança do rumo das coisas, está em uma só questão: que os ventos soprem por outro lado, que a sorte, que também anda jogando contra, volte a nos ajudar.
Incompetência, falta de sorte, erros de dirigentes, muitos caminhos com escolhas erradas, parcerias e contratações equivocadas, são os problemas que nos colocam nesta situação e agora já não há mais volta. Sorte me parece ser o que resta a este time.
A mudança dos ventos e quem sabe com um pouquinho de sorte, sairemos desta situação. Não esperem deste time empenho, sangue... eles estão dando o que podem e o que podem não é o suficiente. O problema é falta de talento e perfil de personalidade profissional. Mas agora é tarde: vai ter que ir com o que tem. E o que tem é pouco.
Não acredito em corpo mole e desinteresse. O time do Coritiba é o que disse estes dias: a cara da nossa diretoria. A cara de um, focinho do outro. Não pense que molhar, suar a camisa bastará. Não fazem mais porque não alcançam isso. Porque não sabem fazer. Estão fazendo o que podem e o que podem é muito pouco.
Bom seria se fosse corpo mole, se fosse só isso ainda restaria a esperança deste time ainda conseguir jogar alguma bola.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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