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ArquibancadaSergio Brandão

De um clube de futebol a um templo budista

Decididamente o Coritiba está todo errado. O discurso moralista de Autuori, justificando a posição do clube sobre Manga, me põe ainda mais distante do time nestes próximos momentos. Aliás, o comando da Treecorp se especializa em fatos polêmicos que só afastam o torcedor.

O apelo que Autuori fez, do Coxa pela dignidade, do bom mocismo, e contra o mau-caratismo de Manga, em defesa de Willian Thomas, praticamente anuncia, ainda que informalmente, o desinteresse pela continuidade de Aleff Manga no Coritiba e isso não pode ser aceito numa decisão destas.

Olha gente, o Coritiba não pode se dar a este luxo. Ou coloca Manga com mais três ou quatro reforços pra jogar a partir de agosto, ou de fato assume claramente que a série A não faz parte dos planos para 2025. Porque se não é assim, estamos trazendo então Gabigol, Messi e Cristiano Ronaldo?

Que Manga fez cagada todos sabemos, mas precisamos dele imediatamente, independente da moral e dos bons costumes dos senhores. Senhores, os homens honrados que precisam trabalhar jogando bola, defendendo dignamente a camisa do clube, não estão conseguindo corresponder. A dignidade e honrardes, não estão ganhando jogo.

Caro Autuori ou Amodeo, se a ideia é transformar o Coritiba numa igreja, então façam Manga pagar a sua penitência jogando pelo clube e se não der certo, mandem embora. Mas se o nosso negócio é jogar bola, então o Coritiba precisa de Manga.

Ficamos semanas em discussões intermináveis para aceitar ou não o pedido de perdão de Manga. E agora chegam vocês e decidem que o rapaz não serve mais?

A torcida não pode pagar mais uma vez pela cagada de um jogador e pela decisão de um grupo de almofadinhas de discurso moralista, como se fossem as melhores pessoas do mundo.

O Coritiba não é escola correcional, mas também não é um templo budista. Parem de bobagem e administrem Manga no vestiário, domem o cara, imponham limites, preparem o cara para jogar e nos dar resultados.
Assim estaremos quites com ele que a partir daí pode seguir a sua vida, mas agora, Manga tem uma dívida a ser paga com o Coritiba e com sua torcida.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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