‘Deus nos acuda’!
Convenhamos, ao ler a chamada, sou inevitavelmente convidado a uma reflexão. Na verdade são dois raciocínios. O otimista e o pessimista. Vencer e colar na ponta, é otimista. É uma informação boa, passa a ideia de quem está bem, mas a gente sabe que não é isso. Sim, o raciocínio pessimista vem em seguida, quando lembro que estamos falando de Campeonato Paranaense, do Coritiba, do clube mais vezes campeão do Estado e maior do Paraná. Se o maior de todos vence, mas mesmo assim ainda cola na ponta, ele não é ponta, e assim, imagino que algo está errado. Vencer e colar na ponta seria motivo de comemoração se o feito fosse uma conquista no Brasileiro, Libertadores ou algo neste nível.
Já há três rodadas largou a ponta do paranaense e se não acordar não retoma mais. Esta é a nossa realidade e convenhamos, será um começo de ano longe de tudo que esperamos da atual administração. Estará abaixo das expectativas feitas quando a torcida optou pela troca de comando no clube. A troca de poder só foi motivada por conta dos últimos desempenhos do time no Paranaense e Campeonato Brasileiro de 2014.
Vilson Ribeiro de Andrade perdeu para a campanha que fez durante o ano todo, escapando mais uma vez do rebaixamento, dias antes das eleições, coisa que o torcedor não aceita mais.
Torcedor quer é resultado, independente da situação financeira do clube, dos acertos e erros do departamento de futebol.
Agora, a atual diretoria faz um novo chamamento. Diz que só será possível contratar este “meia de ligação”, o 10 do time, com mais dinheiro. Para isso, quer atrair novos sócios, principal receita do clube em anos anteriores, mas quando tínhamos um time bem diferente do que este que aí está.
Nesta, Becellar perde para Vilsão. Um fez antes e acreditou na torcida. Chegou a montar um bom time, e sem dinheiro. A torcida respondeu e ajudou. O erro de Vilsão foi acreditar que tudo estava sob controle. Não estava e perdeu a mão.
Bacellar faz o contrário, trabalha com medo de repetir os erros de Vilsão. Primeiro quer se cercar da confiança da torcida e do dinheiro dela para trazer o que o time mais precisa neste momento, um camisa 10, que garanta qualidade ao meio de campo. Também é herdeiro de uma dívida muito grande, e por isso diz estar impossibilitado de montar um time melhor. Seria irresponsável bancar a vinda de um jogador que vista a 10 e seja acima da média, sem dinheiro agora? Existe este atleta? Está disponível no mercado? A verdade é que o torcedor dificilmente é atraído quando não há atração. Será difícil chegar aos mais de 30 milsócios (sonho da atual diretoria) com o que estão nos oferecendo hoje.
Mesmo assim, mesmo com um craque, acredito que o time passaria por dificuldades. Indiscutivelmente temos um time mais limitado que anos anteriores, e mesmo com alguém mais cerebral, não temos o recheio do bolo. Mesmo com um 10 que crie, que seja o conteúdo do bolo, ainda não teremos o restante. Com exceção de Carlinhos e Helder e Leandro Almeida, o resto está longe do que pede o “padrão Coxa-branca de qualidade”.Não sei vocês, mas eu sempre sonhei com algo melhor.
É o que temos para o momento. Com alguma sorte, com entrosamento e a chagada dos novos, a coisa quem sabe melhore um pouco, mas por enquanto, viveremos de lampejos, de altos e baixos, e que Deus nos acuda quando o brasileiro chegar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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