Logo COXAnautas

Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Falta indignação com a derrota

Fico aqui pensando e não consigo achar a saída. Qual seria a solução para o Coritiba sair desta? As respostas óbvias, todos conhecemos. A principal é melhorar a qualidade do elenco. Sim, mas isto é para o ano que vem, com um pouco de sorte. Se Bacellar sair e se seu substituto for 5% mais esperto e conhecer os bastidores do futebol.

Estou falando de uma solução para este ano, neste brasileiro, com o time jogando um mínimo de futebol. Não me refiro a sonhos como classificação para algo mais ousado como Libertadores ou Sul americana. Me refiro ao mínimo. Ao direito do torcedor que paga para ver. Que é sentar na arquibancada ou na frente de uma TV e ver seu time jogar futebol.

Em todas as conversas, análises, aqui mesmo com amigos, como Marcelo Carneiro e Ricardo Honório, não conseguimos sair da mesma discussão e ficamos como cachorro correndo em volta do próprio rabo. Sabemos e conhecemos os problemas, mas giramos sempre em torno do óbvio. Friamente, sabemos que a culpa não é de Marcelo Oliveira, não pode estar na esperança da volta de Kleber, nem nas bobagens das expulsões absurdas como a de Márcio e Anderson ou a cusparada promovida contra o Bahia. Nem no bisonho futebol apresentado por João Paulo e todos os outros problemas que já cansamos de debater e insistem em se instalar no Alto da Glória.

Este Coritiba está mais para divã de analista do que para um treinador experiente com unanimidade. Nem Mourinho, nem Tite, nem Telê Santa arrumam este Coritiba.

Pessimista ou não, entenda como quiser, me preparo solenemente para a série B em 2018. Tudo me indica este caminho. Já disse aqui que a partida chave do caminho contrario à serie B, pode estar no atletiba. Pois é, cá estou eu novamente depositando esperança numa rodada seguinte. Eu e mais uma porção de torcedores que insistem nisso. O que fazer, torcedor é assim mesmo. Por várias razões acredito ser este atletiba um marco para o Coritiba este ano, por razões já esplanadas em coluna anterior, mas para isso acontecer, é preciso muito mais do que estão fazendo.

Fico tentando achar o caminho para que as coisas melhorem. afinal, são praticamente duas semanas até a próxima rodada. Mas não há nada de novo que se possa fazer e mais uma vez a expectativa fica apenas na torcida para que o time finalmente jogue um futebol convincente, com um mínimo de qualidade. Só isso já me deixaria satisfeito.Com um pouco de sorte, vai que isso seja alcançado, ainda assim temos um segundo problema que será o pós –atletiba. A gente sabe da falta de sequência de boas partidas. Ainda não engatamos sequer uma sequência de duas boas partidas, a não ser naquele começo fulminante das primeiras rodadas do brasileiro.

Por isso, não cabe mais os discursos de “precisamos achar forças, precisamos corrigir os erros”, frases muito usadas nas coletivas do CT da Graciosa, que não convencem mais.

Não haverá vitória neste atletiba se não houver antes uma virada de mesa, uma estratégia diferente, uma análise em grupo com o bom analista. Pelo menos será um fato novo que ainda não tentaram e quem sabe possa dar em algo.

Tem uma turma apelando para sal grosso no próximo jogo em casa. Mas até lá já se passaram mais duas rodadas. Antes temos o atletiba na arena e o Palmeiras, também fora de casa. Duas rodadas onde não cabe outro resultado que não seja a vitória. Você acredita? Sem um fato novo, sem uma virada de mesa, uma atitude de cobrança maior, eu não acredito.

Daqui pra frente será necessário colocar dentro do grupo de jogadores a mesma indignação com a derrota que se vê na arquibancada. Do contrário, do nada, como quem acorda de um pesadelo, as coisas não vão mudar.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (44)
Link copiado para a área de transferência