“Fui campeão primeiro”
O patamar Coxa-Branca de hoje, não nos permite ousadia e provocações. Porque pertencer a uma geração de torcedor feliz que fui com o Coritiba, quem sabe tenha me dado um pouco da alma lavada, de missão cumprida. Por isso, pouco me incomoda o sucesso deles hoje.
De ter saído do Belfort Duarte e depois Couto Pereira, com a sensação de dever cumprido infinitas vezes, muito mais que eles. Porque naquela época era inconcebível admitir o clássico em outro estádio. Joaquim Américo era só um ex-jogador. Não dava pra chamar aquilo de estádio.
Como é hoje para eles, na minha época nossos adversários estavam em outros estados. Atletico Pr, era sparring, uma boa prévia que só se aproximava do que teríamos na temporada. Foram anos, décadas assim. Isso alimentou o ódio deles, creio que até hoje,e não há psicólogo que cure. Vem de gerações. Tá no DNA atleticano, é genético.
Vencê-los era rotina, abrimos uma dianteira tão grande que na matemática dos clássicos, que, nem em 100 anos de história os aproxima de nós.
Tá, eu sei, isso é pouco, futebol se mede pelo momento. Tudo bem, no centenário atleticano, vivem um momento melhor e já faz tempo, há uns 10 anos pelo menos. Por algum tempo até conseguimos aparecer no retrovisor deles, mas ultimamente uma névoa encobriu a visão e o Coritiba desapareceu. Ainda incomodamos, mas só por conta da rivalidade. O problema é que a nossa dívida na história recente tá ficando grande.
Tenho muitos amigos atleticanos. Alguns intragáveis, outros nem tanto, talvez porque para eles eu sirva como medida deste Coritiba que nos dão para torcer. Mas sinceramente, eles não me incomodam.
Tem uma frase sábia que conforta um pouco e serve para o momento: das coisa menos importantes, o futebol é a mais importante (se não for isso, é mais ou menos assim).
Até que o vento vire, os planetas se alinhem, as marés e a conjunção dos astros determinem um novo caminho para o Coritiba, sigo aqui, com a memória já se apagando, lembrando dos feitos dos anos 60, 70 e 80, até onde a rivalidade resistir ou que finalmente o Coritiba me ofereça novos fatos para esquentar esta rivalidade.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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