Ironia e mágoa
Mesmo que muitos ainda relutem com isso, a situação, se não é nestes termos, se aproxima muito disso.
Ganhar um atletiba assim, já não tem tanta graça como nos velhos tempos, quando o clássico era esperado com uma semana de antecedência. Mas atletiba é atletiba. “Quem tá vivo peleia” e se não é assim, uma Brastemp para eles, para nós pode significar muito. Pelo menos neste começo de temporada.
O Coritiba vai para o clássico com um time ainda em fase de montagem, testes estão sendo feitos, mas é a base do que pretende terminar o ano, com pretensões de voltar à primeira divisão e andar bem na Copa do Brasil. Para eles, além de jogar em casa, vencer o clássico é apenas uma afirmação para quem começou mal e agora busca um melhor caminho no regional.
Ou seja, um atletiba pobre, se ainda é possível lembrar dos tempos da quase igualdade ou da supremacia Coxa, voltando ainda mais no tempo.
Aliás, acho que o clássico sobrevive muito por conta daquele período onde abrimos esta dianteira, numa matemática que coloca o Coritiba como o maior vencedor na história dos atletibas. Eu sei, isso agora não importa mais. Nossos problemas são maiores que isso. Porque agora temos a mágoa contra a ironia deles, e isso irrita.
Irrita ainda mais quando a gente lembra do último regional, vencido por eles com folga, com o Coritiba entrando na decisão como sparring de terceira categoria.
Com o nível de exigência da torcida Coxa, depois dos 90 minutos deste atletiba, é possível prever algumas reações, independente do resultado, porque estamos mesmo ficando bem previsíveis: se vencer, a maioria dirá que batemos no terceiro time deles e que isso nada diz. Se perder, perdemos para o terceiro time deles, o que mais uma vez será uma vergonha. Se vencer com uma vitória convincente, certamente elegerão alguns responsáveis, como elegeram Iago e Kady como o diferencial na goleada contra o Foz... e o mundo do faz de conta volta a reinar entre torcida e departamento de futebol.
Uma vitória em qualquer atletiba é sempre bem-vinda. Agora, neste clássico de amanhã não só daria um alento, como daria parâmetros para o trabalho a seguir. De qualquer forma, é bom levar em conta isso tudo e muito mais, para não arrumar novas mágoas lá na frente.
O santo é de barro e o andor nada confiável. Vá devagar na condução dos seus sentimentos quanto a este clássico. Nem superestime, mas também não subestime, porque a partida ainda tem a aura de um clássico, embora agora sejamos a mágoa e eles a ironia.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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