“Mais fácil que administrar uma padaria!”
E nós, brasileiros eleitores, a cada eleição nos encantamos com as falsas promessas de dias melhores, cremos na solução de problemas e nos deixamos levar pelo melhor discurso, escolhendo o mais próximo do que julgamos mais razoável para a realidade que vivemos naquele momento.
O problema do Brasil não são seus eleitores, sãos seus políticos e um sistema corrompido e viciado. O problema do Coritiba não é a sua torcida, mas seus presidentes. Mas somos nós, eleitores e torcedores que escolhemos ambos.
No caso do Coritiba, se a eleição fosse hoje, sábado (15), certamente o resultado da eleição corria o risco de ser outro. Porque seriamos motivados pelo resultado da desclassificação no regional. Mas quem escolheríamos, Vialle ou Samir? Nenhum dos dois, certo? Então, o problema cai na velha a cansativa conversa da necessidade da reforma estatutária que precisa acontecer no clube e nunca acontece porque ninguém quer perder tempo com isso.
Mais uma vez pegando a política como exemplo: reformar o estatuto do clube seria uma obra daquelas que o eleitor não vê. Na política, obra que o povo não vê, não vinga, porque não dá voto. Presidente de clube tem que montar time bom pra gente se orgulhar ou pelo menos não passar vexame. No caso do Coritiba, já nos conformamos com a ideia de não ter um time de grande porte nos próximos anos. Mas ainda não aceitamos vexame. E olha que mesmo reclamando, temos colecionado algumas vergonhas bem marcantes.
Não quero acreditar que nem Cirino, Vilson, Bacellar e nem Samir queriam o pior para o Coritiba. Foram teimosos, incompetentes, ousados demais (no caso do Vilson), irresponsáveis e nos deixaram com esta batata quente para torcer.
Em meio a este caos estabelecido há anos, aparece um mágico, um líder, com discurso de homem de sucesso, bem relacionado, cercado de gente séria, com uma formula diferente para gerir um clube falido. Adota uma filosofia quase científica para administrar o futebol do Coritiba. A princípio parecia ser a formula mágica. Deixando muitos com a frase entalada na garganta: “ como não pensamos nisso antes”?
Estávamos com a autoestima tão em baixa que passar pela primeira fase da Copa do Brasil já foi uma grande conquista. Nos enchemos de esperança e passamos a pregar o discurso do time, do elenco, do departamento de futebol, da administração do clube em reformulação.
“Estamos construindo um novo Coritiba", dizia a nova administração. A torcida comprou a ideia e passou a exercer a paciência, a tolerância com ligeiros tropeços, que em pouco tempo encheram o copo que agora transbordou e novamente acordamos diante ( quase) da mesma realidade, com a diferença de ter novos nomes para responsabilizar que, até ontem tinha total e absoluta confiança do torcedor. Não tem mais. O casamento acabou nesta sábado (15).
Corremos para o divã do analista e o desabafo é de quem se sente novamente traído, não tendo mais a quem recorrer. Afinal, o recém - eleito tem ainda mais três anos de trabalho e só de pensar em colecionar novas decepções, a vontade é de largar os betes.
Nesses momentos de crise, o último presidente adotava a tática do avestruz. Vamos ver o que fará Follador. A maioria espera virada de mesa e uma nova postura, um mea culpa, um pedido de perdão para um recomeço.
Quem sabe Follador e todos os comandados de Brunoro consigam adiar esta nova espera para a estreia no Brasileiro, contra o Avaí. Mas mesmo que algo seja feito, será pouco para arrumar a casa, porque este time é ruim e não será com as recentes contratações que a casa será arrumada.
Se você como eu está entre os que seguem, não pretende abandonar o barco, aperte os cintos, porque o ano só está começando.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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