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ArquibancadaSergio Brandão

Mais um ano desastroso

Os anos nos deixaram assim, temerosos, mesmo quando temos motivos de sobra pra acreditar que é possível. Tudo bem que mais uma vez o Coritiba esteve longe de jogar um futebol a altura do que quer a sua torcida, mas acabaram valendo os 3 pontos.

Mas o torcedor ainda têm motivos pra não descansar. No caso de Vitória de Inter e Vitória, o risco ainda existe. Por conta da história recente e usando como referência o futebol jogado contra o Santa Cruz, o medo renasce para as rodadas restantes. Um ponto, e quem sabe ainda mais, com 47, seja possível sacramentar a série A para o ano que vem. Os resultados de hoje vão dizer do que vamos precisar nas rodadas seguintes.

Mesmo me colocando entre os pessimistas, acredito que escapamos mais um ano. Levo em conta principalmente a tradição e até uma certa lógica nos confrontos contra times grandes e pequenos. Tradicionalmente jogamos bem (ou melhor do que andamos jogando), contra os grandes e mal contra os pequenos.

Aqui, no Couto, os pequenos tomam mais cuidado, se fecham e tornam as coisas bem mais difíceis. Foi o que aconteceu contra o Santa Cruz que veio para o jogo da vida deles. Não tinha como pensar em outro resultado a não ser na vitória. Quase conseguiu. Grafitte e Keno infernizaram a zaga, dando muito trabalho a Juninho, W. Maia e Wilson. Aliás, Keno deveria ser levado em conta como reforço para o Coritiba, para o ano que vem. Até Graffite, que apesar da idade ainda joga muita bola, mas que tem outro destino reservado para 2017.

Não sei com que “roupa”Carpegiani deve ir para enfrentar o Flamengo, mas acredito que no mínimo deve ir da mesma forma ou parecido com que o Santa Cruz fez aqui, contra nós: fechado, com cuidados especiais, além do normal. Principalmente atrás, com um meio compactado, que não permita chegar ao gol de Wilson com a facilidade, que o time de pernambuco teve, nesta quarta-feira, por exemplo.

Arrisco dizer, que dependendo dos resultados de hoje, de Inter e Vitória, o jogo da vida do Coritiba será este, contra o Flamengo. O Inter joga em casa contra a Ponte e o Vitória na Vila Belmiro, contra o Santos.


Em caso de derrota do Coritiba para o Flamengo e vitórias dos nossos dois concorrentes hoje, o jogo seguinte em casa, contra o Vitória será mortal, de muita pressão. E o problema está ai: este Coritiba que temos agora, não sabe jogar sob pressão. A partida para resolver a vida do Coxa deve ser fora de casa, penso eu. Quem sabe até contra a Ponte Preta, na última rodada, mas não contra o Vitória, no Couto, se precisar de um ou dos três pontos. Nem torcida, nem o time sabem se relacionar em partidas de alto risco, jogando em casa. A pressão tem sido maior e toma conta do psicológico de ambos: torcedor e atletas.

Oremos! Nossa vida estará resolvida e decidida em horas ou mais alguns dias. Teremos as duas últimas rodadas para festejar mais um ano desastroso, espero, mas como andamos nos contentando com pouco...

Quero mais uma vez lembrar, como lembro tenho feito há alguns anos. Até para que não caia no esquecimento ou que mais uma vez empurrem com a barriga, como fazem nossos comandantes.

Não cabe a esta altura avaliação sobre equívocos cometidos e sabidos, especialmente pelos dirigentes, desde que o Coritiba há 4 anos briga pela parte de baixo da tabela do brasileiro. Estas cobranças precisam ficar vivas, mas por enquanto guardadas numa gaveta, que deve ser reaberta no término do brasileiro. Não nos esqueçamos disto.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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