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ArquibancadaSergio Brandão

Menos, Alex!

Não vejo como positiva a manifestação de Alex a qualquer ato da atual diretoria. Me parece muito confortável criticar apenas como observador. Como líder que sempre foi, sua opinião me parece ter efeito negativo no ambiente. Se é para dar palpite, que seja trabalhando, como funcionário do clube, como me parece até foi proposto a ele.

Com todo respeito que tenho pela figura deste menino - mais Coxa branca que muitos de nós. Inteligente e dono de um futebol para poucos, acho que anda abusando do direito de dar seus “pitacos”. Anda servindo de combustível a um grupo da imprensa esportiva que gosta de ver o circo pegar fogo. Principalmente quando o incêndio é no Alto da Glória.

Ao contrário do que você pode imaginar, caro COXAnauta, não sou contra o que Alex, pensa, até concordo com algumas posições dele, mas Alex seria muito mais útil fazendo parte de uma comissão técnica, dando seus palpites antes que as decisões fossem tomadas. Ultimamente suas manifestações mais atrapalham do que ajudam. Hoje, Alex está no que chamam de zona de conforto. Mão na massa, ao trabalho, meu caro!

AMOR INCONDICIONAL
Tive um professor que dizia que a Rua XV- a rua das Flores- era um belo de um laboratório de sociologia. Que ali havia uma diversidade enorme de tipos que precisavam ser estudados. Chegou a nos mandar certa vez pra lá, apenas para observar as figuras que transitavam pela rua. Naquela época, a diversidade era muito maior que a de hoje.

Convivendo com vocês há alguns meses e há muitos anos em estádio de futebol, digo que este meu professor não sabe de nada. Laboratório de sociologia é tudo que diz respeito ao futebol.

Se pegar a rivalidade do futebol pura e simples, coisa que imagino bastaria a seres normais, o Atletiba, pra pegar um exemplo caseiro, já teríamos motivo mais que suficiente para um estudo sociológico.

Dentro da própria UFPR- Universidade Federal do Pr, conheci um trabalho de mestrado sobre o tema. Gente que estuda o futebol, suas torcidas e seus comportamentos há anos. Nada vai muito além do que já sabemos e conhecemos. Mas estes trabalhos são interessantes para que a gente se veja. Naquela oportunidade me serviu como espelho.

O Futebol nada mais é do que o sentimento que todos nós temos, que é a emoção desta brincadeira deliciosa que é torcer. Coisa que faço há 55 anos. Um sentimento só passional.

Debaixo do mesmo teto, ele é capaz de unir como também de desunir. Futebol de histórias de brigas com agressão física entre irmãos, só por conta de discussões sobre o mundo da bola. Coisa da rivalidade, que só ele é capaz de produzir. Só ele exacerba no ser humano esta variedade de sentimentos que vai do céu ao inferno.

Como disse acima, o futebol também é capaz de unir, de contar histórias maravilhosas como as que já se tornaram públicas e famosas. Conheço a história de doação de sangue, até de transplantes de órgãos entre torcedores rivais. Tudo pela manutenção da vida. Coisa do sentimento mais puro que temos, felizmente ainda acima do clube que escolhemos.

Na minha infância aprendi a gostar e amar o Coritiba por opção da família. Meu bisavô viveu o período de fundação do Coritiba. Anos mais tarde, os agregados que se achegavam, eram sumariamente ignorados e até hostilizados se o clube do coração não fosse o Coritiba. Os sobreviventes se acomodaram e preferiram não falar de futebol. Não se manifestar era mais prudente. Os que resistiram e tentaram gracinhas, não vingaram.

Éramos, como definiu Nelson Rodrigues, uma pátria de chuteiras- em verde e branco - com o emblema do Coxa na ponta.
Meus caros, nossos rivais estão por ai, mas são outros, não os nossos iguais. A discussão mais calorosa também é saudável, mas sempre guardando a educação como princípio.

O melhor ao Coritiba deve ser nosso objetivo, mesmo que não concordemos com a opinião do outro. Melhor seria se os alvos das nossas discussões estivessem atentos a estas discussões que estão sempre muito presentes no COXAnautas. Certamente tirariam soluções a muitos problemas.

Aprendo a cada texto publicado, leio todos os comentários e colocações de ideias, só tenho como regra não responder a provocações e colocações visivelmente infelizes, que não acrescentam. De resto, tudo vale.

Que esteja acima de nossas discussões, o Coritiba, razão maior deste encontro que fazemos diariamente, amor eterno de nossas vidas.

Isso serve também pra você, Alex!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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