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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Meu caro Elizeu!

Eu queria ser uma figura invisível, nem que fosse por 30 minutos. Só para acompanhar uma única reunião do G5. As últimas declarações de Macedo sobre o time que montou “para brigar pelo não rebaixamento”, as declarações de Bacellar sobre o volante “quebrador de bola”, tudo isso somado a obsessão de Alceni Guerra com a construção do novo estádio, imagino que falem de tudo, menos sobre a realidade da crise técnica e administrativa que vive o clube.

Outro dia disse aqui que eles ou não entendem nada de bola ou são de outro planeta. Agora já acho que dos 5, uns não entendem de bola e outros são mesmo de outro planeta. Com toda esta diversidade, fico a pensar: como será uma reunião de ETs e senhores discutindo um tema que mal conhecem?

Outro dia alguém me perguntou quem são os outros dois além do PRESIDENTE, Rogério Portugal Bacellar, do promeiro vice, José Fernando Macedo e do quarto-vice, Alceni Guerra. Temos também Gilberto Serpa Griebeler e ainda Luiz Antonio Eugenio de Lima.

É esta a lista dos cinco nomes dos homens que comandam o Coritiba nos últimos meses e que andam nos deixando com raiva de futebol. Eu por exemplo ando arrumando um jeito de não ver mais os gols da rodada. Os do Coritiba então, é na hora do jogo e só.

Este G5 certamente anda sendo responsável por muitas noites mal dormidas de muito Coxa Branca, assim como você, meu caro Elizeu. Confesso, minhas noites de insônia hoje não passam de 5 minutos.

Depois de cada rodada, sou tomando por momentos de tristeza, depois vem a reflexão e logo a conclusão do sofrimento chegando sempre aos mesmos responsáveis.

Minha saúde, a convivência com qualidade com a família vale mais. Durmo e coloco tudo numa gaveta que só abro em dias de jogo. Terminado, fecho de volto ao normal . Às vezes me obrigo a uma faxina . Tiro o pó acumulado, jogo fora o que não presta e que sei que não vou usar mais.

Sugiro o mesmo a você Elizeu. Só se envolva passionalmente quando tiver forças e principalmente for ouvido. Sim, porque o desgaste está justamente nesta gritaria que a gente promove, mas sem ser ouvido, sequer dão importância para as nossas lamentações. Como já disse, tratam torcedor como um bichinho perigoso que não pode passar da arquibancada. Quando a agente começa a incomodar demais, reclamando muito, ousam nos chamar para um cafezinho na sede, para nos mostrar como as coisas andam sendo feitas. É verdade que ultimamente não fazem mais isso porque já perceberam que além de ficarem com o cafezinho esfriando na mesa, não nos acalmam mais. Pelo menos não nos acham mais os burros, idiotas de sempre.

Deixo aqui a minha solidariedade a você, companheiro Elizeu Rolim, que entre tantos anda sendo judiado pelas coisas internas do Coritiba, e que também espera poder fazer algo para ajudar a atirar o clube deste buraco que se meteu.

Parece ser deste espírito abnegado, a última tentativa de tirar o Coritiba deste mar de incompetência que toma conta do clube há anos.

Meu caro Elizeu, infelizmente não será o nosso amor pelo Coritiba, que vai tirá-lo desta situação neste momento. Vamos precisar de muitos Elizeus, ou pelo menos deste seu espírito, especialmente nas próximas eleições. É disto que vamos precisar quando estivermos diante das urnas novamente, ano que vem.

Só assim voltaremos a ter o futebol como prazer, sem perder noites de sono, finalmente, quem sabe , acordando numa segunda-feira, pensando já na próxima rodada porque a vitória daquele fim de semana não poderia ter sido melhor, nos colocando numa situação privilegiada na tabela, com um time jogando o fino da bola. Não custa sonhar, não é?

Me parece ser a próxima eleição a nossa última chance, para recolocar o Coritiba nos trilhos. A partir disso começar a depuração, que também vai levar algum tempo, mas é o preço que precisamos pagar por conta dos tropeços de agora.

Mãos a obra, mesmo do lado de cá, meu caro Elizeu!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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