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ArquibancadaSergio Brandão

Nas entrelinhas de Argel

Quem sabe seja mesmo muita pretensão minha entrar neste mérito. Até porque não vivo bastidores de futebol e tão pouco conheço das relações humanas, além das minhas dificuldades, brigando pra achar atalhos que sei o quanto custa cada um deles.

Conformismo concluir que deste Coritiba que temos, resta apenas torcer para encerrar a temporada com alguma dignidade. Como fez ontem este time, vencendo o Avaí. Não espero nada além disso. Nada além do que fez ontem, nem com Argel, com ou sem Samir. Porque o estrago que fizeram foi tão grande, que não há milagre que nos devolva um time de futebol ainda este ano. Dignidade com um pouco de vergonha na cara quem sabe nos devolva um pouco da honra perdida por este meio de caminho e se assim for, diante do quadro, me dou por satisfeito.

Nos resta muito pouco para continuar torcendo e para alguns que ainda acreditam em algo mais, além de terminar o ano com dignidade. A não ser pela paixão de cada um de nós por este clube de futebol.

Esta dignidade pode estar na vontade de acertar que vi na entrevista que Argel concedeu à Ricardo Honório, no ar desde quinta-feira, na Tv- COXAnautas. Ao contrário do que ainda muitos podem esperar, Argel parece ter os pés bem fincados no chão, se apresentando para o trabalho no mínimo de forma bem diferente que fizeram seus três antecessores neste quase 10 meses de turbulência Coxa-branca.

De todos os contratados de Samir nesta desastrada gestão, do roupeiro ao seu assessor direto, talvez Argel tenha sido o único acerto. Mas pra isso finalmente Samir contou com a sorte que também lhe faltou neste período.

Argel está para o Coritiba como o Coritiba está para Argel, pelo menos neste momento. Pelo menos foi o que pude sentir em sua entrevista.

Sério, sabendo onde é necessário trabalhar, sem conversa fiada, sem tentar iludir o torcedor, que por conta de tantos erros, aprendeu a andar neste mar de espinhos, se machucando o mínimo possível.

Ousaria dizer que em meio a esta conversa, nas entrelinhas, o casamento é bastante oportuno, por várias razões: Argel precisa se firmar no mercado e o Coritiba aparece no seu caminho em momento bastante oportuno. Nenhum dos dois pode perder mais esta oportunidade. Argel de se firmar como treinador e o Coritiba de sair deste buraco.

O Coritiba, um clube com muita mais visibilidade que muitos por onde o treinador passou, seu sonho de consumo por muito tempo, vai além de ser apenas mais um clube para colocar em seu currículo. Argel sabe que o Coritiba pode ser a sua redenção e os dois podem ganhar com este momento.

Parece que tudo ainda depende do que Coritiba e Argel vão fazer até o final da temporada. Aposto em Argel como recomeço. Num novo trabalho para 2019, mas não como salvador e que nos coloque de volta na primeira divisão em 2019. Se isso acontecer, Argel ganha um patamar que ainda não consigo dimensionar.

Argel Fucks quem sabe seja o cara para clarear a cabeça de Samir e lhe ensinar como se trabalha no futebol. Um precisa do outro e acredito que nesta relação já rola uma química boa.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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