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ArquibancadaSergio Brandão

Negueba neles!

Embora tenha nascido no mês de abril, mês da mentira, ou num dia do mês que usa o primeiro de abril como o dia da mentira, Guilherme Ferreira Pinto, que é do dia 7/04/1992, não é nenhuma mentira. Pelo contrário, passa longe de ser uma mentira, embora muitos ainda achem isto. Jogador que ainda não deu certo e que ainda faz muitos críticos torcerem o nariz para o futebol que joga.

Com passagem pelo São Paulo e Flamengo, Negueba parece ser um daqueles negros predestinado, no time Coxa-Branca.

Lembro que minha estreia aqui, foi com uma coluna comemorando a vinda de Joel. Naquele dia o camaronês estreava fazendo dois gols, nos tirando da ZR, na vitória contra o São Paulo, no brasileiro do ano passado (já me referi a isso na semana passada).

O texto dava boas-vindas ao nosso novo atacante, saudando mais um negro num time fundado por alemães. Assim como Geraldo com sua história em atletibas, Zé Roberto nos idos de 70, com seu futebol moleque, o lateral esquerdo Nilo também nos anos 70 e Lela nos anos 80, com a famosa careta. O talento negro foi sendo apresentado ao longo destes mais de 100 anos de história do Coritiba. Foram muitos mesmo. Lela, Zé Roberto, Geraldo e Nilo só para citar os mais famosos. Não esquecendo de Jairo, o pantera negra do arco, um dos maiores goleiros que vestiu a verde e branca.

Logo que Negueba chegou, estas histórias todas vieram juntas em minha cabeça. Chamou minha atenção, me fazendo pensar reservadamente: não seria mais um negro predestinado a fazer sucesso aqui? Já tinha visto algumas partidas dele pelo Flamengo, e como todos , eu também não vi nada de especial em Negueba. Apenas o apelido- pra lá exótico. Ainda é o mesmo, mas algo acontece com Negueba desde que chegou. Me parece ainda um jogador em formação e se arrumando para explodir a qualquer momento – assim espero.

O problema é que a verde e branca lhe caiu bem. O manto sagrado vestiu bem no negão. Simpatizei com ele. Logo no primeiro jogo no Couto, fez das suas, com aquele famoso drible em três adversários, na linha de fundo, entrando na área, (que não deu em nada, é verdade) mas valeu o ingresso. Aquilo me pareceu um aviso de Negueba, um cartão de visitas.

Naquele dia saí do Couto sorrindo. Negueba me parecia uma mistura de Zé Roberto com Lela. De irreverente, com um futebol alegre, sem medo de errar, tentando o drible, ousando pra cima do adversário. Pra mim, naquele lance, Negueba deixava de ser uma mentira pregada pela maioria. Era mesmo só uma coincidência ter nascido em abril. Sim, porque cabeça de bagre não faz aquilo e nem o que ele continua fazendo.

Do alto dos seus 23 anos, vive o melhor momento para quem quer viver de futebol e ser amigo da bola.

Aposto nele. Como diz um amigo: Parece que Negueba precisa de um trabalho específico de treino e um pouco de psicológico. “Um cara que com a bola nos pés parece craque, mas ainda segura demais e falta ser incisivo no jogo, chegar de forma mais aguda, chutar, ir pra cima - diz este meu amigo. Quem sabe, se corrigir isso, possamos ganhar o Negueba que todos esperam.

Que não seja um Zé Roberto ou um Lela, mas tenho certeza que estará pronto para o Brasileiro e vai dar o que falar. O campeonato Brasileiro é a vitrine que ele e o Coritiba precisam, e será sem dúvida um grande momento para os dois.

Negueba precisa ser trabalhado e orientado. Se assim for, ainda pode nos dar muita alegria.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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