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ArquibancadaSergio Brandão

O Futebol jogado nos gabinetes dos dirigentes

O futebol mudou, e com ele foram incorporados novos métodos de venda e de estratégias para conquistar novos sócios, novos torcedores, as crianças, seus pais... tudo para vender um clube de futebol.

Tudo mudou, inclusive a qualidade do principal produto que envolve esta máquina: o próprio FUTEBOL. Embora ainda seja o nosso primeiro produto, não é mais o que temos de melhor. Com a falta dele em campo, o Vovô- Coxa, por exemplo, passou a ser apenas um boneco que interage com as pessoas. Os sócios são tratados de forma diferente. Participam de promoções, as crianças ganham acesso ao gramado, sorteios e distribuição de brindes completam uma tarde de domingo de futebol... mas o futebol anda sendo deixado de lado.

Eu ainda sou dos que troca a pompa, a modernidade, a festa, por um bom futebol- que anda sumido de muitos estádios - não só aqui do Couto. Pra falar a verdade, nem lembro direito quando foi a última vez que vi uma bela partida de futebol ali.

Se for possível juntar tudo isso, muito melhor, mas se tiver que escolher, prefiro a bola bem jogada. Sozinha, como nos bons tempos quando ela resolvia todos os outros problemas. Não era preciso campanhas de novos sócios, eles surgiam sozinhos. Não precisava correr atrás de patrocínio, eles procuravam o clube.

Ousaria dizer que nem as acomodações do estádio precisam ser as melhores (padrão Fifa), basta ter um bom lugar para sentar, mas desde que me ofereçam um bom jogo de futebol. Outro dia ouvi um torcedor reclamando do bom e velho pão com bife, o famoso "filé miau".

Tudo mudou porque o futebol mudou, virou um produto muito caro, um evento grandioso movido a valores absurdos.

O Vovô – Coxa precisa voltar a sorrir, para fazer o torcedor sorrir também! E pra isso, só mesmo com futebol que convença. Novos torcedores só serão vistos com um time vencedor. Não há campanha de marketing que traga novos sócios e torcedores com tudo que anda nos rondando. Aliás, se você já foi sócio e quer voltar, desista. A direção do clube faz o caminho contrário. Ao invés de tentar atraí-lo, vai lhe espantar. Mesmo que você tenha cancelado sua matrícula de sócio e não seja um inadimplente, uma enorme multa lhe espera. Multa de quê? Não sei, coisas que só a administração Vilsão explica.

A geração da minha filha está aprendendo a gostar de futebol no sofrimento. Caminho inverso ao meu. Ela aprende a conhecer um Vovô- Coxa triste. Com estádio também muitas vezes triste, graças a uma administração que prometia um Coxa moderno e vitorioso, mas que se perdeu no meio do caminho e parece entregar o clube do jeito que pegou. Uma administração que prometeu montar um time campeão, brigando com os grandes no brasileirão, e não foi o que fez.

Não podemos deixar que baixem o padrão de qualidade. Enquanto houver a lembrança de um Coritiba vitorioso e campeão, pela nossa história vitoriosa, não vamos deixar a bola cair. Não podemos nos acomodar e aceitar o pouco que andam nos oferecendo.

O pacto está selado: torcida e jogadores estão juntos pela briga contra o rebaixamento, mas é preciso incentivar o surgimento de uma oposição forte e competente para que o Coritiba volte a ser vitorioso.

Em nome de uma torcida nova que precisa surgir, mas que só virá com um time vencedor.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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