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ArquibancadaSergio Brandão

O ano que ainda não terminou

2020 ainda não acabou para o Coritiba. E pelo que se desenha, seu fim será em doses homeopáticas, com uma angústia como há muito não se vê no Alto da Glória. Restos mortais de um trabalho sem pé nem cabeça, de uma administração que em três anos transformou o que era prazer em ódio.

Samir pagará caro pelos seus erros, embora como já disse aqui, minha postura é de esquecer e olhar pra frente, apostando no futuro que igualmente será duro, mas creio, gerido com mais competência e profissionalismo.

O histórico do jogo de ontem conta bem o que foi o Coritiba, especialmente neste último ano. Um time capaz de levar o torcedor do céu ao inferno em apenas noventa minutos, embora o futebol jogado ontem (20), no primeiro tempo, não foi o que mostrou durante o ano todo, mas no decorrer dos 90 minutos, sim.

Com o time acertado no primeiro tempo, surpreendentemente volta do vestiário como time grande, coisa que não é. As alterações até podiam se justificar se estivéssemos falando de Palmeiras, Flamengo, Grêmio ou Atlético Mineiro, mas não com este grupo que tem o Coritiba. Não havia troca a ser feita no intervalo de jogo. O time que desceu o túnel, era o que deveria voltar para o segundo tempo. As trocas se justificariam apenas no decorrer da segunda etapa e mesmo assim, só em extrema necessidade. O trabalho de vestiário era muito mais de motivação renovada, com um plus a mais, porque só assim para chegar onde imaginam que ainda é possível chegar, que é a fuga do rebaixamento. Não se trata mais de técnica ou tática. Trata-se de alma, de dar a alma em campo o que ainda não foi feito com este grupo. O velho e ainda usual chavão do " coração no bico da chuteira".

Pra voltar um pouco no tempo, lembro que o Coritiba foi aos poucos ficando pequeno e que até há uns anos, ainda reclamávamos deste tamanho, que era apenas brigar para não cair. Agora ficamos ainda mais pequenos porque com muitas rodadas de antecedência, já estamos quase rebaixados.

Mesmo assim, ainda temos um time que se dá ao luxo de fazer o que fez na noite de ontem, contra o Fluminense. Também capaz de festejar um empate num atletiba, uma vitória fora de casa contra o Vasco e um empate inexplicável em casa contra o Fluminense.

E ainda assim, acreditar que a missão não está terminada. Um sentimento que vem sendo assimilado ao perfil do torcedor já alguns anos.

Voltando ao raciocínio anterior: na condição que se meteu o Coritiba dentro deste brasileiro, terminar um primeiro tempo vencendo por 2x0, o mínimo que se espera é ver a alma do grupo, mantendo o resultado a qualquer preço. Mas não, volta do vestiário com alterações, como se pudesse se dar ao luxo de estratégias de time grande, coisa que não é. Me refiro ao grupo e não ao clube.

Faltou a mão de um treinador/psicólogo que com um mínimo de conhecimento de vestiário e de Coritiba, pudesse perceber a delicadeza do momento, para saber tirar proveito da vantagem que tinha. Nem isso temos. Também faltou esta sensibilidade no vestiário.

Uma vitória diante do Fluminense seria um divisor de águas.

Acaba logo, 2020.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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