Logo COXAnautas

Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

O chicote de Pachequinho

“Uma coisa posso garantir a todos vocês: nosso ambiente dentro da equipe é muito bom”.

A frase acima é uma das perolas de Rogério Bacellar no famoso editorial divulgado no boletim da semana passada, distribuído a um grupo de sócios.

Tudo bem que no calor da disputa a cabeça não obedece e o bom senso dá lugar ao protesto, mas geralmente tentando buscar o melhor.

Eu não seria leviano em tirar proveito dos xingamentos de Juan a Pachequinho durante a troca que o treinador optou fazer quando colocou Bernardo em lugar de Juan. Não usaria os xingamentos de Juan para contrapor com a frase que abre este post.

Prefiro ir um pouco mais adiante: finalmente alguém mostrou ter sangue quente, e não o sangue de barata que estamos vendo até aqui. Por enquanto, a rebeldia de Juan, que quebra o silêncio desafiando o treinador publicamente , aponta que internamente há também insatisfação com os erros e trapalhadas que Pachequinho anda fazendo nas escalações e substituições, mostrando inclusive que não tem a força que diziam ter com 100% sobre o grupo.

Alguém já protesta no ambiente “calmo e muito bom”, como prega ( ou pregava ) o presidente Rogério Bacellar.

Quem sabe estes atos rebeldes sacudam um pouco as estruturas e coloquem finalmente algumas questões em discussão. Porque o que mais irrita hoje no Coritiba, é esta sequência absurda de tropeços e nada acontecer. Agem lá dentro como se tudo andasse dentro do normal, sem nenhum problema para resolver, se comportando como avestruz.

Apesar, de quem sabe, ter feito uma de suas piores partidas pelo Coritiba, Juan pode ter começado finalmente uma nova fase dentro do Clube. Se conseguir recuperar o poder da indignação, já terá feito seu papel, tamanha a apatia que predomina no ambiente hoje.

Se junta a Juan, outro personagem da noite de ontem: Kleber que também saiu de campo cobrando a definição de “ um padrão de jogo” se referindo a inconstância na forma de jogar que nunca teve, desde o período de Gilson Kleina e que segue com Pachequinho. Às vezes com uma formação, outras completamente diferente. Mesmo que Pacheco argumente, se defenda alegando ter que fazer isso porque às vezes precisa ser mais ou menos agressivo. Uma jogando com três volantes, em outras com três atacantes. Isso deve ter um meio termo. Nem tanto o céu nem tanto a terra, meu caro Pacheco. Kleber tem muita razão também nesta questão.

A “draga” no Coritiba anda tão grande, que talvez os dois piores jogadores da partida de ontem, tenham sido os personagens do jogo. Não pela bola que jogaram, mas pelo que disseram. Juan e Kleber, os craques da partida, mas pela língua deles, que virou o chicote de Pachequinho.


Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (87)
Link copiado para a área de transferência