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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

O elogio compromete, a reclamação não

Vendo pela tv a decisão do título estadual carioca entre Botafogo e o imbatível Flamengo de 89, lembro dos títulos estaduais do Coritiba - os das décadas de 60 e 70, que alguns torcedores entendem como conquistas do passado, por isso não valem mais. Por um lado é isso mesmo, porque este é o preço do dinâmico futebol que sempre coloca o ontem muito rapidamente no passado. Como também precisa pertencer ao passado o título da Libertadores do Palmeiras e como mostrou a torcida do Flamengo, ontem (30), na vitória contra o Ceará, que também já é passado hoje, 1º de dezembro.

Assim como até hoje, a torcida flamenguista grita pelo nome de “Mister Jesus”. Que ocupa um lugar especial, nos corações flamenguistas, um passado mágico que em qualquer circunstância alimenta o futebol de hoje. Mas a regra diz que passadas 24 horas, como num passe de mágica, o ontem não pertence mais ao presente. Mas parece que passado com gloria ainda vale, passado decepcionante se joga fora? Se é isso, nossas conquistas dos anos 60 e 70 e as conquistas nacionais, ainda valem.

O mesmo passado/recente que desagrada a alguns e agrada a maioria, como a renovação de Morínigo com o Coritiba. Um passado com uma semana de distância, mas que terminou de forma melancólica, que ainda ocupa reflexões derrotistas. É que para muitos, Morínigo foi colocado no mesmo pacote que Muralha, que Castam, que Bochecha, que Toto, Dalberto etc etc etc.

A personagem da Iena do “óh dia, óh céus”, é mais cômoda. Porque isenta. Não é preciso apostar em ninguém, porque “assim não me comprometo com nada” e me deixa à vontade para criticar quando necessário. Reclamar é melhor que se calar ou elogiar. O elogio compromete, a reclamação não.

Mesmo que o Coritiba ainda viva dias de reconstrução (e eles serão longos), a crítica ainda é forte porque a posição crítica é mais confortável.

Fazia parte do planejamento subir à primeira divisão. Subiu, e a possibilidade de algo maior, a ameaça de ir um pouco mais longe, muito provavelmente seja a responsável pelas críticas de agora. A expectativa do título e a falta de fôlego nas últimas rodadas decisivas, frustraram? Sim! Todos nós sonhamos com o título que não veio. Principalmente porque nos daria uma situação mais confortável para o ano que vem, financeiramente e de planejamento para a Copa do Brasil. Vamos ter que correr atrás porque as expectativas foram frustradas.

Os últimos resultados devolveram ao torcedor, o velho Coritiba, o time de tiro curto. O time que na hora H balança e não convence, não sintoniza com a arquibancada e pisa na bola.

Se os dias já eram difíceis, continuam da mesma forma. Apenas trocamos de patamar para ser realista. Nem pessimista e nem otimista, quem sabe o acesso tenha até sido prematuro, porque agora é preciso manter o clube na primeira divisão e as dificuldades serão as mesmas dos anos anteriores e a torcida não aceitará nada menor que não seja se manter com (folga) na primeira divisão.

Nas redes sociais já surgem os adversários enrustidos, vestidos de verde e branco, que já torcem o nariz para Morínigo, Waguininho, Rafinha e Robinho, embora os três últimos ainda não tenham garantido a permanência no clube. Apenas Morínigo assina até o final de 2022.

A torcida do Coritiba precisa sair da roupa de clube grande por natureza, daquele que fez frente aos grandes nos anos 60 e 70, do título Brasileiro em 85, do Fita Azul, do primeiro do estado em tudo, e recomeçar a sua história. Por enquanto, temos apenas uma camisa de peso e uma torcida forte.

E provavelmente será com estas duas forças que o Coritiba contará uma história que vai construir uma nova geração de torcedores, que vai se orgulhar do time que tem, como no passado.

Assim como o Botafogo que deu a volta no imbatível Flamengo de Zico em 89. Porque no futebol além da qualidade, da competência, é preciso ter sorte e isso a gente já sabe, voltou ao Alto da Glória, pelo menos é o que dizem os últimos resultados do time, para ser otimista com o presente.

Então, mirando no futuro... Acredito que podemos!

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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