O mínimo que é o máximo
O divã de um psicólogo quem sabe seja melhor neste momento, antes que os primeiros disparos sejam feitos. É cedo. Claro que será injusto, claro que Carpegiani não é o responsável pelas duas derrotas seguidas, mas além de arrumar um culpado, a torcida Coxa parece ter a necessidade de esbravejar. Fazer um barulho que seja em tom de protesto, para ser ouvida e seu grito alcance os ouvidos do maior número possível de dirigentes, e comissão técnica.
Parece que estamos de acordo com esta inconstância, estes altos e baixos irritam mesmo. E isso assusta. Mas friamente é possível entender se levarmos em conta que não temos elenco, apenas um time que dá pro gasto.
Também não aguento mais estes altos e baixos. Nisso parece que estamos todos de acordo. O que não pode acontecer é deixar que as coisas se misturem e que se perca novamente a mão. Temos um consenso sobre o treinador. Carpegiani faz o que pode, certo? Para mim isto é claro. Faltava um treinador, que agora temos. Só que muitos de nós, há algumas rodadas, começaram a sonhar com o impossível.
Aqui mesmo li muita gente falando em título da Sul- Americana. Parece que não passaremos da segunda fase, e pior, com direito a baile dentro de casa.
A primeira derrota do novo treinador, dentro de casa abalou uma turma que acreditava que uma nova fase estava começando.
No primeiro osso duro fora de casa, com um time infinitamente superior, brigando pelo título, tomamos mais uma lambada, desta vez no Brasileiro.
Como num passe de mágica, o sonho do título da Sul- Americana e uma classificação melhor no Brasileiro, sumiram.
Pois bem, para não alimentar sonhos e nem pesadelos maiores, sugiro que os pés voltem ao chão e continuemos nossas humildes pretensões, jogando para o gasto e mais um ano terminar a temporada ainda na primeira divisão. Com os pés bem plantados no chão. Esta é a nossa realidade.
Se com o um time completo as coisas já não eram fáceis, com meio time no estaleiro, perder para o Palmeiras por 2x1, não é um resultado assim, tão ruim. Triste, eu sei, mas é o que temos para o momento.
Tudo bem que se tivesse alguns titulares, quem sabe teríamos melhor sorte. Se Wilson não errasse (na minha opinião nos dois gols) a gente quem sabe até saísse de São Paulo com um resultado melhor. Se Wilson não alternasse entre boas e más partidas, quem sabe até pudéssemos sonhar com vitórias em partidas mais complicadas.
O fato é que precisamos definir nossa escala de valores. Nossa expectativa não pode ser além do que este time pode nos dar. Não pode ser cobrado nada além do mínimo, que neste momento é o máximo: a primeira divisão para 2017.
Ainda no começo da semana eu dizia e agora volto ao tema: ano que vem podemos quem sabe sonhar com algo melhor, se houver cobrança e não deixarmos os mesmos no comando do clube.
Precisamos limpar os gabinetes, para depois montar um time. E isso é tarefa para 2017.
Para agora é se fechar em torno do mínimo, que é o máximo que este time pode nos dar.
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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