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ArquibancadaSergio Brandão

Os ovos de ouro de Samir

Uma partida ruim, outra um pouco acima da expectativa, mas ainda com um time bem distante do que espera a torcida Coxa.

Esta é a rotina do time do Coritiba neste brasileiro, aliás que vem desde o Regional, quando pela primeira vez Samir Namur montou seu primeiro time, que na época comemorava ter perto de 6 ou 7 atletas da base, além de um treinador também remanescente da base.

Muitos torceram nariz, outros preferiram esperar para ver no que ia dar a ousadia dos novos dirigentes, que chegaram a ser classificados como malucos, mas acabaram respeitados porque davam um novo caminho aos destinos do clube que, nas três ou quatro últimas administrações, rezaram a mesma cartilha e que não conseguiram dar um rumo diferente, mas que a um preço bem alto, se segurou na primeira divisão do Brasileiro.

Samir pegou o bastão de Bacellar, já na segunda divisão, prometendo como prioridade subir a qualquer preço. “É a primeira prioridade" - dizia Samir. Manteve a filosofia (que nascia fracassada) dando prioridade aos “PRATAS DA CASA”.

Até recentemente o Coritiba ainda tinha um grupo bem razoável de atletas revelados nas categorias de base, mas a questão passava prioritariamente na qualidade das revelações, que não correspondiam e deixavam a promessa de voltar à primeira divisão, mais distante.

A teimosia passou a ser a bandeira de dirigentes que encontraram muita resistência do torcedor mais exigente. O Coritba que passou meses não convencendo e até irritando seu torcedor, num dos piores Regionais disputados, nos seus mais de 100 anos de história, passava longe de ter um time convincente. Nem as contratações feitas, anunciadas por Samir como pontuais resolveram. Pelo contrário, incharam o grupo que ainda não conseguiu evoluir e convencer.

O Coritiba de antes, de 5 meses atrás, ainda é o mesmo de agora, com partidas alternadamente ruins, péssimas ou apenas razoáveis. Para quem não sabe do que estou falando, de todos os jogos disputados até aqui, na sexta rodada, do Brasileiro, contra o Vila Nova, finalmente o time mostrou alguma evolução, que foi creditada ao trabalho do treinador, que agora substitui Sandro Forner.

Eduardo Batista treinou algumas jogadas, cobranças de falta e deu uma cara tática ao time, pelo menos foi o que se viu na rodada com vitória em casa, contra o Vila.

Quando todos finalmente achavam que o time ia engrenar, nova decepção e uma involução parece ter tomado conta do grupo que foi à Londrina com a missão de trazer a primeira vitória fora de casa e principalmente a confirmação do Clube entre os quatro primeiros classificados na Série B.

A torcida volta a torcer o nariz e desconfiar em novo momento, quando parece mesmo que o principal ainda não foi feito, embora já tenha trazido um número bem razoável de reforços, mas que até agora não justificaram suas contratações. Pelo menos a metade destes novos contratados, são vistos com muita desconfiança. Pelo menos da maioria dos torcedores que acompanham futebol mais de perto.

Passados cinco meses, o Coritiba é igual. Já não prioriza a base, perdeu seu treinador... Não convence, oscila jogos ruins como contra o Londrina, ou com partidas razoáveis como fez contra o Vila Nova, mesmo com um grupo quase que totalmente modificado daquele de 5 meses atrás.

Ainda sem vencer fora de casa no Brasileiro e se de fato Samir ainda prioriza a subida à primeira divisão, precisa ser avisado que com este time, sem um zagueiro de confiança, mais um meia e no mínimo mais um ou dois atacantes de qualidade, terá a primeira promessa não cumprida já nos primeiros meses de trabalho, antes de completar um ano de mandato.

O presidente precisa sair de cima dos ovos de ouro que trouxe e entender que não chocarão.
- Destes ovos não saem pintinhos, presidente: Nem Bruno Moraes, nem Alvarenga, nem Simião, João Paulo, Pablo, Iago.... deles se aproveita no máximo a clara do ovo pra fazer suspiro.

O Coritiba está cada vez mais com cara de mercado de periferia, com prateleira cheia, mas de produtos com prazo de validade vencida ou de segunda categoria.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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