Passar bem, Kleina!
O que mais me impressiona a partir de agora, é a cara de pau de Kleina , que também resiste em não pedir pra sair. Não me lembro na história do futebol, de ter visto algo assim, com uma situação tão desconfortável como a de agora, criada entre treinador e torcida.
Acho que não seria um exagero dizer que a rejeição de Kleina já deve chegar a 100%. Aqui mesmo no site já foi feita uma pesquisa há semanas que apontou que 80% da torcida queria a saída de Kleina. Agora parece que chegamos a um número absoluto de 100%. Mesmo assim, o treinador não pede para sair. Não percebeu ainda que não há mais como reverter isso. Não tem volta meu caro Kleina. Virou uma questão de honra tirar você daí.
Não se trata mais de brados retumbantes de torcedores insatisfeitos. Agora é luta pela sobrevivência de uma torcida que tenta salvar um grande amor de mãos inimigas.
Sempre estive entre os otimistas, alias, ainda sou, mas esperar algo de Kleina, a esta altura, é sonhar com o impossível. Gilson Kleina me parece fazer parte daquele time de treinadores que só acerta num clube onde lhe dão o que há de melhor no futebol. Onde não existe a mínima chance de erro. Com um time limitado, como é o caso do Coritiba, a coisa não vai. Ou dá um time top, ou chama outro.
Esta situação me lembra uma conversa que tive certa vez com Edu Coimbra, treinador daquele maravilhoso time de 1989. O último grande time que o Coritiba montou nestes anos (apenas para lembrar de algo agradável) com um meio de campo de fazer inveja a muita seleção: Osvaldo, Serginho, Carlos Alberto e Tostão. Na frente tinha Chicão e Kazu.
Me disse Edu: com um time destes, distribuo camisa no vestiário. Sou mais psicólogo que treinador. Não há muito o que fazer. Mais conversamos sobre problemas pessoais do que treinamos. Edu me chamou atenção dizendo que treinador bom, era o cara que sabia “tirar leite de pedra”, coisa que esperei de Kleina até recentemente. Agora não dá mais.
Com um elenco reconhecidamente ruim, Kleina já fez o que este time pode dar. Por tanto a culpa é muito mais de quem trouxe e montou este time. Ms Kleina já dise até onde pode ir com o que tem.Por isso, é hora de buscar uma outra solução. Até porque a esta altura, não é possível remontar um time novo - coisa que não seria uma má ideia -, mas não com esta diretoria no comando das ações.Que também já mostrou que não sabe planejar,promovendo contratações que vão sendo feitas, sem obedecer critérios básicos.
Mas Gilson Kleina só sairá quando a casa cair. E pra casa cair, alguma coisa muito séria precisa acontecer. Dos mais exaltados aos mais brandos. Na rua, no estádio ou pelas redes sociais, passo a esperar de tudo a partir de agora. Gostaria de não ver o pior, mas começo a temer pelo que pode acontecer se insistirem com a permanência de Kleina.
Vejo por exemplo uma grande movimentação de grupos grandes de torcedores se mobilizando para se afastar do Couto, como forma de portesto. Grupo grande e bem organizado. Já se reúne e a ideia inicial é não ir mais aos jogos do Coxa em casa, todos deixando também de pagar suas religiosas mensalidades de sócio. Isso não só enfraquece o time, como o clube. Força a diretoria já desacreditada a tomar providências, que a esta altura não terá outra alternativa. Só que mandar Kleina embora, já não será mais prioridade. Se o movimento crescer, e torço para isso, dirigentes também serão forçados a entregar seus cargos. Isto cria uma crise interna sem precedentes. Um mal necessário.
Mares mais revoltos à vista, meus caros. Lamento pela figura de Gilson Kleina, que como já disse aqui, me parece ser um camarada boa gente, boa conversa, agregador, amigo da rapaziada, mas que não serve para comandar o meu time.
Lamento também por Rogério Bacellar que conheço há anos e sei do seu caráter, da sua paixão pelo Coritiba, mas nem Kleina e nem Bacellar servem para comandar o Coritiba, pelo menos nos cargos que ocupam.
Almas gêmeas, como disse na semana passada. Uma dupla que deve marcar uma era no Coritiba. Nunca na história do clube um treinador tão incompetente se perpetuou por tanto tempo no cargo.
Bacellar foi o autor da proeza, sendo conivente, lhe faltando coragem para tentar virar o jogo, preferindo correr outros riscos. Faltou a ele visão estratégica que se espera de um dirigente. Não foi e nem será com ele que o Coritiba finalmente sairá deste marasmo. Sua administração apenas vai marcar o fim de uma era negra no Coritiba, se Deus quiser. Sem querer, errando, parece que Bacellar acertou. Será um remédio amargo que precisa tomar, mas que lá na frente todos agradecerão. Queira Deus, seja a salvação do Coritiba.
Kleina precisa pedir para sair. Bacellar precisa ser avisado pelos seus irmãos, que sua hora também já chegou. Com ele e Kleina, e todo o departamento de futebol. Comecem um Coritiba novo, bem maior do que diziam querer quando chegaram.
Para o seu bem, para o bem do Coritiba, já deu, Kleina e Bacellar. Chega !
Passar bem, meus caros!
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (52)
