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ArquibancadaSergio Brandão

Por mais adversários como o Humaitá

Quem perde é porque jogou mal, não estava num bom dia. Quem ganha, se for vitória sobre um time pequeno, não fez mais que a obrigação. Quando isso envolve o Coritiba, seja em qualquer circunstância, é elevado ao quadrado.

Não me refiro somente ao jogo de ontem, contra o Humaitá, uma situação atípica, que mesmo em condições desfavoráveis, como o péssimo estado do gramado, que segundo alguns colocaria a disputa em condições de igualdade - o que não se confirmou, dada a fragilidade do adversário, que sequer fez cócegas. E mesmo assim, o Coritiba segue em dívida com a torcida, se é ela ainda alimenta a esperança com algum nível de exigência, na escala de valores de cada torcedor.

Se para muitos o Humaitá não foi páreo, para poucos pode ter sido o início de uma nova fase, mesmo que a partida tenha sido mamão com açúcar. Mais difícil é atender a solicitação do treinador que mais uma vez pede calma ao torcedor com o time.

Oras, se depois de mais de dez partidas o time ainda não engrenou, porque acreditar que agora vai? Que mágica é possível para ensinar a alguns atletas o básico do futebol, o fundamento: passe, matar uma bola, chute, cabeceio e lançamento?

Não estou puxando coro pela saída de António Oliveira, mas gostaria de entender melhor onde deve morar a esperança que nos propõe, pedindo mais uma vez paciência com o time. Aliás, a paciência tem sido um exercício de anos, muitos anos.


Sinceramente não encontro caminho que me convença de ver nos próximos jogos finalmente um Coritiba com o mínimo de qualidade, suficiente para ao menos chegar até as oitavas da Copa do Brasil, com um pouco de sorte passar dela e nos dar um Brasileirão sem sustos.

Mesmo que ainda sejam esperados alguns reforços para o ainda capenga elenco, minhas esperanças não alcançam esta expectativa, com mais acertos e menos erros. Com alguma cara tática, com um desenho que nos leve ao gol adversário e não com este excesso de passes apenas laterais e até para trás, com raros avanços. Só mesmo o Humaitá para nos dar esperança que isso é possível.

Se até aqui a maioria dos adversários era de menor qualidade técnica e cresceram diante de nós com marcação forte e muita vontade e, diante do único adversário forte, o rival no clássico do final da rua, nos impôs pressão durante grande parte do primeiro tempo e em toda a segunda etapa, de onde tirar então a convicção que vamos evoluir depois de mais de dez partidas disputadas?

Quero crer nisso, até acho que às vezes é possível, mas quando acordo do sonho, quero logo voltar a dormir para sonhar mais um pouco

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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