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ArquibancadaSergio Brandão

Por que Alex disse não?

Há quase dez dias, Rogério Bacellar, presidente do Coritiba e Alex, se encontraram em Brasília. No encontro Bacellar formalizou seu convite a Alex para trabalhar como dirigente no Coritiba. Alex acompanhava a filha num torneio de tênis e pediu um tempo para pensar. Pra quem vinha criticando o trabalho da atual diretoria, que se mostrava decepcionado com o trabalho feito até aqui, me surpreendeu a resposta. Imaginei que Alex dissesse não, logo de cara.


Todo cidadão ligado de alguma forma ao Coritiba, sabe da vida de Alex, das suas posições, dos seus pronunciamentos, seus pensamentos e projetos.

A jogada de Bacellar com a vinda de Alex, era dar um choque na torcida e no próprio elenco. A vinda de Alex esfriaria os ânimos, quem sabe acalmaria o conturbado ambiente do Alto da Glória.


Me chamou muito atenção o cargo oferecido a ele. Me intrigou oferecerem a função que era de Ernesto Pedroso, que saiu como vice de futebol. O lugar de Pedroso é para quem transita em outras rodas do futebol, que faz os caminhos secretos dos bastidores, de contratações, de avaliações, de conversas veladas. Um submundo que nada tem a ver com o perfil de Alex. Logo depois do convite feito, conversando com meu amigo Ricardo Honório, achamos mesmo algo meio sem propósito. Honório até disse: " se querem fazer Alex ajudar o Coritiba, que o coloquem pra jogar. Dois meses de treino estará pronto para fazer muito melhor do que estão fazendo"!


Ou como pensou eu. Acho que Alex deveria ser chamado para ajudar a projetar o Coritiba do futuro, para trabalhar no meio do caminho entre a base e o profissional. De rodar o mundo atrás de talentos, coisa que de certa forma até já fez pelo próprio Coritiba e que nunca foi remunerado por isso.


De qualquer forma, me chamou atenção Alex não ter dito “não”, logo de cara. Por que então Alex teria pedido estes quase dez dias para pensar?


Em qualquer lugar do mundo, quando se oferece emprego a alguém, a oferta é feita no mínimo com um salário proposto e mais ou menos a função designada, que no caso de Alex, era o que seria avaliado neste período que ele pediu para pensar, suponho eu.


A questão esta no que houve neste período entre o “vou pensar” e o “não”. O NÃO dado ontem que na minha opinião era praticamente certo, mas como já disse, me intriga não ter sido dito antes.


Tudo isso dá margem a conjecturas. Das duas uma: ou usaram estes dias para negociar o que caberia ao Alex neste trabalho novo no clube, com ele impondo algumas condições, e que nesta quinta-feira chegaram a conclusão que o trabalho não seria possível. Ou um fato novo surgiu neste período. Sim, porque todas as desculpas dadas por Alex para não aceitar o trabalho, já tinham sido dadas anteriormente. Por que agora voltariam a repetir o que todos já sabiam? Que Alex precisa cuidar da família, que seus projetos de trabalho estão em andamento, que pretende ser treinador, que continua no clube, mas na arquibancada? Isso tudo todos nós já sabíamos.


Na minha opinião, tudo isso não passa de mais uma artimanha de bastidores, sem nenhuma transparência, que neste momento só coloca mais uma nuvem negra sobre o miolo das ruas Mauá, Amâncio Moro e Ubaldino do Amaral.


Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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