Logo COXAnautas

Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Proibido para menores

Me diga aí, quando foi que você esteve num jogo do Coxa e viu 24 gols? Nem de longe você imaginava uma festa de gols assim, não é? Sim, porque se esperava decisão nos pênaltis, não alcançou que veria tantas cobranças assim. Mesmo que com tudo isso você ainda faça parte do time dos pessimistas, como eu, que ainda tem a seu favor um fator positivo que não pode ser deixado de lado: a sorte. Agora, pelo menos ela parece ter reatado as relações com o clube.

2x1 nos 90 minutos e 11x10 nos pênaltis. Bem de acordo com o futebol que jogou. 10 vira, 20 acaba. Futebol de pelada, de encontro anual de família, na chácara alugada para festas. O 2x1 foi o futebol das crianças, só para esquentar. Os adultos não resistiram e foram para o tradicional 10 vira, 20 acaba. Foi o que pensei no final da noite de ontem.

Quis o destino que fosse assim, com muitos gols. Vamos treinar isso até aprender a fazer, cara a cara com o goleiro, disse uma voz lá de cima. O destino também teve o cuidado de encerrar a brincadeira nos pés de Bruno, contestado nas últimas partidas pelos gols que vem tomando. Irônico tudo isso, no mínimo.

Como diria o torcedor menos tolerante: “tem coisas que só acontecem com o Coritiba”.

Mesmo com a partida passando pela tv, teimosamente fui ao Estádio. Depois daquele primeiro tempo meia boca, achei que mais uma vez, como com o Londrina, finalmente atacando para o gol dos fundos - o gol que devemos atacar no primeiro tempo - as coisas mudariam. Pelo contrário, pioraram. De meia boca passou a ser medíocre. Tão medíocre que tomou pressão do visitante, com poucas ou quase nenhuma jogada mais animadora de ataque. Mais parecia mesmo um amontoado de jogadores correndo atrás da bola, coisa de pelada varzeana mesmo.

Mas pra não dizer que as coisas foram de todo mal, podemos tirar algumas lições, sim. Primeiro a boa e única surpresa: Ruy de fato já fez alguma diferença neste desastroso meio de campo. Não pode mais sair do time. Galhardo é fraco. Nem com alguns jogos vai engrenar. É bater o olho e ver. Depois de algum tempo acompanhando futebol, acho que cheguei neste nível de apostar ou não em alguém. Negueba deve ser encostado. Alguma coisa muito séria deve estar acontecendo com ele. Algum problema particular ou algo do gênero. Chega a ser melancólico, ontem confesso, me provou pena. Wellington também não serve mais, mesmo que na avaliação do jogo de ontem, tenha sido menos comprometedor.

Quando a coisa se encaminha para a única opção de ataque, e acaba sendo Walysson, aí tenho uns cinco tipos de medo. É sinal que Marquinhos começa a apelar e não sabe mais o que fazer, assim como eu, que quando o juiz apitou o fim da partida, levantei e fui embora. Não porque meu coração não aguentaria. Aliás, em nenhum momento me causou fortes emoções. Até já estou me acostumando com esta qualidade que me oferecem. O problema é que já era meia noite, e preferi ir pra casa. No caminho até o carro, em nenhum momento pensei em ligar o rádio e ouvir como estavam as cobranças de pênaltis. Me senti meio entorpecido, mas profundamente triste.

Assim, este Coritiba vai me desmotivando, tirando meu tesão pelo futebol, que com certeza fará outras vítimas por aí. Triste e melancólico sigo pra casa e já no carro ligo o rádio. Ouço a cobrança de Leandro Almeida. Desligo novamente. Fico sem saber quanto está, mas o resultado não faz diferença alguma naquele momento.

No final, já em casa, vejo o placar de 11x10, comemorado na internet, na página oficial do clube. Não consigo comemorar, sinto mais medo e um pouco de vergonha.

Lembro que será com esta roupa que pegamos o Grêmio no sábado, e a Ponte Preta na terceira fase da Copa do Brasil. Havia prometido para minha filha levá-la ao jogo de sábado. Sinto um frio na barriga. Começo a temer pelo pior. Surras em casa, como a do Operário, por exemplo.

Para os próximo jogos do Coxa, a diretoria deveria torná-los impróprios para menores de idade. Assim, livro minha filha desta vergonha, e uma geração que se forma nas arquibancadas, de ver o pior que o Coritiba conseguiu produzir nos últimos anos.

Mais uma coisa: minha filha está invicta. Nunca viu o Coxa perder. Com este time, acho que a brincadeira acaba no sábado.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
Ver comentários (0)
Link copiado para a área de transferência