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ArquibancadaSergio Brandão

Que Coritiba você quer?

Parece inevitável o tema politico no Coritiba. Impossível falar do Clube sem medir e avaliar as propostas e consequências da atual administração. Em qualquer encontro, mesmo que a intenção seja apenas falar de futebol, a conversa acaba na avaliação destes primeiros meses de mandato de Samir Namur. Não consigo ainda me colocar a favor e nem contra. Ainda sou o desprezível cidadão, o de cima do muro.

Diferente da política tradicional, na politica clubística parece prudente esperar por resultados. É preciso primeiro apostar e depois torcer pelo sucesso da ideia. Eu pelo menos penso assim, porque não há como saber antes se a proposta terá algum efeito, porque pelo menos no caso do Coritiba, e acredito que nos demais clubes de futebol, a campanha é curta e não há a exposição de meses, como na politica tradicional, com altos e baixos e uso da mídia. É preciso apostar numa ideia e como bom torcedor de futebol, apenas torcer para que a escolha tenha sido acertada. Não sou do time que coloca o atual grupo, com as mesmas intenções que as administrações anteriores. Acredito que mesmo com passagem em outras e grupos conhecidos, estão propondo uma nova gestão. Veremos o que o futuro nos reserva.

Apenas defendo que a proposta de Samir é a melhor para a volta à Série A, ainda em 2018. A proposta de recuperação financeira também me agrada. As duas questões precisam ser prioridade máxima, coisa que o próprio Samir admitiu em entrevista à TV COXAnautas, assim que foi eleito, ainda em dezembro.

O que temos para medir isso tudo até agora é a ansiedade ou a intolerância de muitos, que como torcedores, sem saber exatamente como andam as coisas dentro do Coritiba, conjecturam e sofrem com os primeiros resultados, que sem duvida se somam a uma largada desastrosa até aqui. Sim, porque torcida quer resultado, não importa em que condição tenham encontrado o Coritiba.

Mesmo assim, acho tudo isso perfeitamente compreensível e aceitável. Parece claro que não será este o time que teremos no Brasileiro.

Não esqueçam que a campanha eleitoral no Coritiba foi dividida em duas partes. A do Clube da primeira divisão, quando os candidatos saíram pedindo seu voto em novembro e o Coritiba da última semana de campanha, o que caiu para a segunda divisão. Neste momento, nem o “10” prometido por Vialle, era mais uma garantia. Os três candidatos mudaram o discurso e passaram a pregar a volta à primeira divisão como prioridade máxima. A ansiedade do torcedor é a alma do futebol, mas é preciso ver o clube além da arquibancada, principalmente agora neste momento extremamente delicado.

Discutir o Coritiba com pessoas como Dr. Hipólito, como fizemos nesta última edição da TV COXAnautas, clareia algumas questões. A vivência dentro do clube me mostra alguns caminhos que de fora não consigo ver. Me parece claro haver um buraco na questão da administração, no departamento de futebol, onde está o calcanhar de aquiles de Namur. O Coritiba é quase isso que querem vender, mas ainda não é bem assim. Falta muito. A rodagem, a experiência de alguém que abra caminhos e faça uma leitura antecipada de algumas questões vitais, ainda faz falta. Não podemos mais perder tempo com alguns problemas que conhecemos bem e sabemos que não serão resolvidos.


O lado romântico que cega o prático, a vivência com alguma experiência, já teria descartado alguns problemas que ainda vivem no dia a dia do Coritiba.

Dr Hipólito fala em Vialle como um dos caminhos para ajudar a somar nesta administração. Não é no que eu acredito. Mas percebo que este grupo escolhido para gerir o futebol do Corittiba, ainda se recente de alguém mais rodado, de um “macaco velho” que una experiência, rodagem e principalmente conhecimento do que é o futebol de hoje. Alguém com trânsito livre em todas as esferas do futebol sul- americano. E que principalmente tenha algum respeito quando for necessário bater em alguma “porta de vidro”.

Parece que teremos um ano especialmente tenso no Coritiba. Por isso, acho que é preciso muito cuidado com posições e posturas que só agitam ainda mais o já conturbado ambiente nos porões do Alto da Glória.

Se for pra ajudar, mesmo que em desacordo com tudo, espero que seja muito bem-vindo pela turma de Samir, se for pra tumultuar ainda mais, acho que será melhor guardar suas intenções para outro momento.


Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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