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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Queda livre

Sem indicação nenhuma se será por morte súbita ou ainda com sobrevida por algumas rodadas. Por mais que a gente tenha usado esta e outras expressões parecidas – que se aproximam do pior que cerca o Coritiba, para tentar definir nosso futuro, o momento agora já é de desespero. Pelo menos para quem ainda nutre algum sentimento por futebol e pelo Coritiba, por quem ainda guarda uma história que até bem pouco tempo foi contada com muito orgulho.

Mas este grupo, agora frustrado, é maioria absoluta e cresce a cada dia. Porque não há mais para onde correr e o que fazer. A esperança se foi.

A saída do treinador vai representar a troca de um gordinho por um magrinho -algo assim -, a não ser que um abnegado se disponha, por piedade, ajudar o Coritiba. Porque sem dinheiro para trazer coisa melhor e nem disposição dos melhores em vir trabalhar no Coritiba, ficaremos com os mesmos nomes de sempre, os que rondam o futebol brasileiro, com pequenas diferenças entre um e outro.

O que restava da história construída em anos, foi destruída pelas últimas administrações e enterrada por Samir Namur, e com isso o Coritiba não é mais vitrine para ninguém, nem para atleta e nem para treinador.

Mesmo assim, de comum acordo, mas só entre torcedores, é sabido que Barroca não só já podia ir embora, como teria sido bem melhor se nem tivesse vindo, e que Jorginho podia ter sido mantido no cargo.

Neste momento, com alguém mais criterioso e com mais experiência, com este mesmo time, talvez seja possível melhorar um pouco, pelo menos dar uma cara tática ao que agora é um amontoado. Jogadores distribuídos sem muito critério em setores e que às vezes ridiculamente até batem cabeça.

No jogo de ontem contra o Bahia, Barroca gritava na linha da área técnica, mas seus desejos mais pareciam gritos de desespero de quem não sabe mais o que fazer. Não tem comando e nem comandados. Não se entendem ou não sabem mesmo interpretar o que o treinador pede.

Não há milagre que resolva a vida de Barroca no Coxa, porque para acontecer o milagre precisa haver motivação, o que não há nem no time do Coritiba, nem no treinador e muito menos em seus dirigentes.

Ao torcedor cabe mais uma vez fazer as contas para chegar aos pontos que serão necessários para fugir do rebaixamento. Lembrando que ainda vivemos a segunda rodada de um campeonato de um nível técnico bem abaixo de anos anteriores. Em outras temporadas até vivemos situações bem piores, mas havia elenco, treinador e a gente sabia que o acerto era só uma questão de tempo.

Ainda virão Flamengo no sábado, depois Corinthians, Bragantino e assim seguirá o calendário programado pela CBF, que como o Coxa, também anda jogando um futebol de péssima qualidade, liberando atleta com COVID-19 para jogar a rodada.

Uma intervenção da vigilância sanitária é pedida pela Associação dos Atletas Profissionais de São Paulo, o que seria a salvação não só para a vida de atletas de todos os clubes, mas especialmente ao Coritiba. Terminar o ano por aqui seria um grande negócio ao Coritiba de Samir Namur.

Porque só depois dessa gestão podemos voltar a pelo menos sonhar em ter nosso clube de volta. Mesmo deste jeito, nestas condições, mas acreditando que finalmente o milagre pode ser operado, porque acredito que com trabalho sério, ele virá e gradativamente sairemos desta situação.

Seja lá quem for o sucessor de Namur, vai precisar de muito trabalho para reconstruir o clube.

Esta é a minha expectativa ... que alimenta minha condição de torcedor.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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