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Arquibancada
ArquibancadaSergio Brandão

Reminiscências da Mauá

O Texto abaixo publiquei há um ano, mas só no Fecebook. Falo sobre um cantinho preferido do torcedor no Couto Pereira, a Mauá sempre foi o meu lugar preferido, assim como o de muita gente, mas que ganhou uma maquiagem, se descaracterizou e perdeu seu encanto.O texto foi refeito e republico como um lamento e tom de súplica aos nossos dirigentes.

Acho que para muita de muita gente a Mauá tem desperta este sentimento. Quem sabe uma revitalização, uma ação inteligente de recuperação do espaço, certamente traga de volta sua beleza e principalmente a força que sempre deu ao time em campo.

A Mauá já foi o espaço das organizadas: MUC, Águias Verdes, Mancha Verde e Império. Muitas torcidas nasceram ali.

Algumas figuras marcaram o retão da Mauá:Julinho, um maluco que passava o jogo pulando de um canto ao outro, com uma peruca que caia todo instante, animava quando o jogara era desinteressante. Mais recentemente, estes habitues da Mauá, assim como seu Orlando, da padaria da Fagundes Varella e um japonês, que sempre estavam no mesmo lugar. O japonês vestia a camisa numero dois do uniforme Coxa. Frio ou calor, lá estava ele apenas com aquela camisa de listras verticais. Não sei seu nome, não sei onde mora. Só sei que a gente se abraçava nos gols, nos cumprimentávamos, o jogo terminava e a gente só se encontrava na partida seguinte.

Quem não ficava na Mauá, sentava nos fundos, na curvas - que hoje chamam de setor Coca-cola, fazendo as grandes romarias no intervalo dos jogos, se movimentando para o lado onde o Coritiba atacaria no segundo tempo. Com as designações que fizeram, dando à Amâncio Moro a denominação de arquibancada, e o fundo do estádio setor Coca-Cola, isso acabou. Acompanhar o ataque Coxa, sentando atrás do gol para onde o time atacava, nos dois tempos de jogo, já não é mais possível.

Aquela Mauá dos bons tempos, tinha efeito “Bombonera”. Ganhamos muitos jogos com o retão da Mauá. Que mudou de nome, perdeu a mística, quebrou o charme arquitetônico do Couto e anda vazio, sem vida.

A Mauá que hoje chamam de setor Pro Tork, já não é mais o mesmo. Está com pouca gente, custa caro, e tentam chamar o torcedor de volta com promoções, que mesmo que volte, não será em numero suficiente para devolver ao espaço a sua mística.

Um espaço que sempre teve efeito de arquibancada de geral, agora ficou cheio de pompa e caro. Me dói olhar para o antigo retão da Mauá, e ver aquilo vazio. Com aquela cara moderna, sendo abraçado por um estádio concebido com outra proposta arquitetônica.

A Mauá ficou com cara de baile de debutantes, numa festa junina.

Arrumem um jeito, não sei qual, mas reinventem a Mauá. Ela ainda pode fazer a diferença, inclusive dentro de campo e voltar a ser um cantinho charmoso dentro da nossa casa.

Sobre o autor

Sergio Brandão
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.

Sobre o blog

Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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