Saindo do ringue
Sei que não surpreendo ninguém se disser que agora a situação do Coxa é pior. Desesperadora e até irreversível para muitos, se não encarnar outro espírito. Não me canso de lembrar da campanha do Fluminense, em 2009, em situação pior, mas que tinha um time infinitamente superior a este do Coritiba de hoje. Dois ou três jogadores decisivos, como Fred em boa fase, por exemplo.
Por tudo isso, sei que momento não é para pessimismo. Aos que pertencem a este grupo, assim como eu, a sugestão é se calar e tentar apenas torcer, principalmente depois da apertada, mas merecida vitória contra o Cruzeiro. Em muitos vejo que a vitória trouxe o renascimento, a esperança. Se não é isso, pelo menos trouxe o grito de vitória, encalacrado depois de longos 70 e tantos dias sem saber o que é sair do Couto comemorando algo.
Ufa! Esta foi a expressão que mais se leu ou se ouviu durante a semana depois deste 1x0. E foi mesmo um alivio ter novamente o Coritiba vitorioso. Mesmo que seja apenas uma vitória, mas que pode representar uma recuperação. Quem sabe não seja a primeira entre tantas? É o que todos desejamos. Se é possível, é outra conversa. O “Ufa” que abriu manchetes de matérias sobre o jogo, que também esteve na boca do torcedor, foi o sentimento que vi na torcida nesta vitória contra o “poderoso” Cruzeiro de Mano Menezes.
Como faço parte do time dos pessimistas, embora sempre tenha sido otimista em relação ao Coritiba, me calo e me limito apenas em dar opinião baseado em fatos, mas de agora em diante, sem projeção, sem expectativa (pessimista ou otimista).
Depois que tivermos nossa vida resolvida em 2017, volto a lavar roupa suja.
O Coritiba vive um momento único. Cada torcedor à sua maneira. Entre nós estão os intolerantes, os que preferem sofrer calados, os falastrões, os que culpam a todos, os que se acham superiores, os que se enfurnam em casa e não querem mais saber de futebol. Até os que torcem contra argumentando que um rebaixamento arrumaria a casa. Também sabemos que não. Isso já aconteceu e a casa continua desarrumada. Segundo representa apenas problemas e grandes prejuízos ao clube.
Mesmo assim, o momento é de respeito a todas estas manifestações, porque estamos fora do padrão normal de comportamento. Deixo minha indignação ou a festa para depois. Aguardo ansiosamente o desfecho dos fatos. Creio que logo o teremos. Tenho a impressão que tudo se decide em mais 3 ou 4 rodadas.
Me retiro do ringue me propondo a aparecer por aqui apenas para relatar fatos. Sem suposições, expectativas ou dissecar o Coritiba.
Vivemos mais um momento histórico na vida Coxa-Branca. Desejo que no último capítulo desta história de 2017, possamos rir de tudo isso.
Oremos !
Sobre o autor
O Coritiba está na minha alma, muito mais até que no coração. Aprendi a gostar de futebol assim, de alma e também de coração. Sou do tempo do Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Isso foi no início dos anos 60. De lá nunca mais saí. Na década de 70, o Coritiba me conquista definitivamente, quando montou times inesquecíveis, várias vezes campeão. Período que passei a frequentar programas de rádio para tentar ficar o mais próximo que podia do futebol. Foi a época de Dirceu Graeser, no famoso"Viva o Futebol", na Rádio Clube, depois Rádio Cruzeiro. Foi o meu começo nos meios de comunicação. Vivo do jornalismo há mais de 30 anos, dedicados ao Rádio e principalmente televisão. Hoje sou muito mais da arquibancada. Sou mais torcedor e menos jornalista, principalmente quando o assunto é Coritiba.
Sobre o blog
Sou jornalista há mais de 30 anos. A profissão e a condição de torcedor, me fizeram aprender a policiar posições quando escrevo para tv ou rádio. Isso me desenvolveu muito o lado crítico. Costumo dizer que futebol é uma coisa e esporte é outra, bem diferente. Basicamente porque o futebol se transformou num produto da mídia e envolve muito dinheiro. O esporte amador, não. Sem dinheiro ele apenas sobrevive. É o caminho que o vôlei começou a tomar, por exemplo, mas ainda passa longe de ser o sucesso que é o futebol. Gosto de escrever sobre os dois: esporte e futebol. Jornalismo é minha profissão, o Coritiba minha paixão. Será um prazer estar aqui com vocês falando sobre tudo isso.
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